Donald Trump e Hillary Clinton, com 70 e 68 anos, são os candidatos mais velhos que alguma vez se apresentaram na corrida à Casa Branca. Com os discursos efusivos e as viagens sem fim a que a campanha eleitoral obriga, o republicano e a democrata parecem ter uma saúde de ferro. Mas, então, qual é a razão para serem os únicos, no universo dos candidatos recentes, a não publicarem relatórios médicos nem a autorizarem entrevistas com os profissionais de saúde que os acompanham?

O último registo de informações sobre o estado de saúde de cada candidato foi conhecido em 2015. Desde essa data, não houve atualizações nem comentários dos médicos de Clinton e Trump.

O silêncio vindo dos candidatos dos dois partidos pode dever-se às idades de cada um, que normalmente são associadas a alguns problemas de saúde, mesmo que tenham pouco impacto no cargo ao qual se candidatam.

A troca de acusações chega à saúde

Donald Trump tem-se demonstrado especialmente irredutível quanto a avançar mais detalhes acerca do seu estado de saúde, embora tenha lançado dúvidas no que diz respeito à situação da adversária, questionando a “força e resistência física e mental” de Clinton. Houve, também, registo de rumores lançados por alguns aliados do candidato republicano, que apontavam para uma suposta doença de que a democrata sofreria.

Em resposta às acusações dos últimos meses, o porta-voz de Hillary afirmou que a democrata é “o único candidato na corrida que se encontra num estado [de saúde] que vai ao encontro do esperado para um candidato presidencial”. Em contrapartida, “Donald Trump precisa de publicar uma carta de um médico credível, que detalhe o estado da sua saúde aos eleitores”.

O candidato multimilionário, que come “fast-food” regularmente e admite não dormir muito e tirar poucas férias, só disponibilizou um documento de quatro parágrafos, em dezembro de 2015, onde um gastroenterologista explicou, resumidamente, o seu estado de saúde.

O porta-voz de Trump, Hope Hicks, disse esta segunda-feira, que o candidato não teria “nenhum problema em publicar novos dados”, se Clinton fizesse o mesmo. Os conselheiros da candidata democrata garantiram que também podem avançar mais detalhes, mas que Trump deve ter a primeira iniciativa.

Dos republicanos aos democratas, todos deram mais detalhes

Vários foram os republicados a disponibilizar detalhes sobre o seu estado de saúde poucos meses antes do dia eleitoral. Ronald Reagan e Mitt Romney autorizaram os médicos que os acompanhavam a dar entrevistas e o candidato republicano de 2008, John McCain, disponibilizou um relatório pormenorizado de 1.100 páginas para todos os que o quisessem ler.

Entre os democratas, Al Gore e John Kerry falaram abertamente sobre a sua saúde. Contudo, Bill Clinton e Barack Obama foram mais reticentes em relação a este tema: os assessores dos então candidatos garantiram que, por serem pessoas jovens, Clinton e Obama não tinham nenhum problema relevante de saúde. Mas, em 1996, o marido da atual candidata democrata viu-se obrigado a falar, devido a pressões vindas do seu opositor, Bob Dole.

Relatórios "desatualizados" e "inconclusivos"

O relatório de Trump não contém detalhes sobre exames ao coração, dados sobre a frequência respiratória, o nível de colesterol ou histórico de medicação e doenças familiares. Contudo, pode-se constatar o resultado da medição à pressão arterial do candidato (110/65) e resultados de testes laboratoriais que apontam para resultados “surpreendentemente excelentes”.

Do lado democrata, houve também a publicação de um relatório mais extenso do que o publicado pelos republicanos. Foram duas páginas, tornadas públicas em julho de 2015, que incluía informações sobre a queda sofrida por Clinton em 2012, onde esta perdeu sangue e teve problemas momentâneos na visão. No final do relatório, a médica responsável pela saúde da candidata garantiu que esses sintomas tinham desaparecido em dois meses.

Esta semana, vários órgãos de comunicação social norte-americanos lançaram questões sobre a saúde de Clinton e Trump, dizendo que os relatórios publicados são “demasiado resumidos” e que não contêm informações relevantes para traçar o perfil de saúde dos dois candidatos.

Dos dois lados da corrida eleitoral, foi garantido que poderiam ser publicados mais dados, mas, quer os republicanos quer os democratas, desvalorizaram as observações feitas aos relatórios de 2015.