O diário norte-americano Washington Post e a edição eletrónica norte-americana do britânico Guardian ganharam esta segunda-feira o Prémio Pulitzer de serviço público por uma série de artigos que expuseram os programas de vigilância globalizada da Agência de Segurança Nacional norte-americana.

Uma equipa de 28 jornalistas do Washington Post, liderada pelo repórter Barton Gellman, e Glenn Greenwald, o então repórter principal do Guardian US para as histórias relacionadas com os programas secretos da NSA, basearam as suas reportagens em documentos secretos que lhes foram passados por Edward Snowden, o ex-analista governamental que se exilou na Rússia, desencadeando alguma controvérsia em torno dos premiados deste ano.

A atribuição do galardão aos dois jornais poderá suscitar um debate como o que se seguiu à decisão do júri do Pulitzer de distinguir com a medalha de serviço público o New York Times, em 1972, pelas suas revelações sobre os Papéis do Pentágono, um documento governamental ultrassecreto sobre o envolvimento dos Estados Unidos na guerra do Vietname.

Tanto no caso da NSA quanto no dos Papéis do Pentágono, os artigos basearam-se em fugas de informação de documentos secretos furtados por funcionários contratados pelo Governo, e tanto Snowden como Daniel Ellsberg ¿ que forneceu os Papéis do Pentágono ao repórter do Times Neil Sheehan ¿ foram classificados como traidores pelos seus atos.

E ambos os autores das fugas de informação, bem como os órgãos de comunicação social que publicaram as suas peças, foram acusados por críticos, incluindo membros do Congresso, de encorajar a espionagem e prejudicar a segurança nacional.