Seis da manhã, cidade de Georgensgmünd, na Baviera, perto de Nuremberga. A polícia cumpre um mandado contra a casa de Wolfgang P. e é recebida a tiro. O ativista Reichsbürger, indivíduos por regra com ligações à extrema-direita e movimentos nazis, nem sequer abre a porta. Antes começa a disparar através da madeira.

Um dos polícias é atingido com grande gravidade, com o chumbo a atravessar-lhe até o capacete. Está em estado crítico. Um outro é ferido num braço e há ainda dois que levaram com estilhaços de vidro.

Ele estava escondido atrás da porta e disparou através dela. Ainda não temos a certeza de quantos tiros foram disparados", esclareceu Johann Rast, da chefia regional da polícia alemã.

Wolfgang P. há muito que estava na mira da polícia. Havia fortes suspeitas de possuir armas ilegais. E o homem de 49 anos sempre recusara submeter-se a inspeções por parte das autoridades locais.

Dominado o homem após o tiroteio da manhã, com quatro baixas entre os agentes, a polícia vasculhou a sua casa. Encontrou 30 armas.

O estranho mundo dos Reichsbürger

Wolfgan P. assume-se como um Reichsbürger, partidário de um movimento de extrema-direita que considera ilegítimo o atual Estado Federal da Alemanha. Para esse grupos do Movimento dos Cidadãos do Reich continua a valer a Constituição de Weimar, aprovada após a derrota alemã na I Guerra Mundial, em 1919.

Não se sabe ao certo quantos grupos de Reichsbürger (KRR) existirão hoje na Alemanha. Sabe-se, contudo, que se assumem como governantes de um Império Provisório (Kommissarische Reichsregierung), que emitem documentos para os seus correlegiona´rios, como cartas de condução  e que desprezam e não aceitam as regras e leis do país.

Fazer parte do movimento Reichsbürger é ser um extremista de direita. Temos de olhar com atenção este movimento e não podemos descartá-los como um grupo de malucos", assumiu esta quarta-feira Joachim Herrmann, o ministro do Interior do Estado alemão da Baviera.

É óbvio que esta gente, que está obcecada pelas suas crenças ideológicas, está disposta a usar a violência contra a polícia", acrescentou.

As preocupações do ministro enquadram-se claramente nas da totalidade das autoridades alemãs.

Wolfgang P. estava desempregado. Antes, tinha dirigido um centro de artes marciais. Desde o verão, assumiu-se como um Reichsbürger. Tinha 30 armas em casa. Trata-se apenas de um exemplo, dos muitos que estão a preocupar seriamente os alemães.

Um extremamente variado leque de pequenos grupos e indivíduos que acreditam numa mistura ideológica de teorias da conspiração e de visões anti-semitas e anti-democráticas, que se têm vindo a comportar, de há algum tempo, de forma cada vez mais agressiva", é a descrição dos Reichsbürger feita recentemente num relatório dos serviços de informações alemães, citado pelo jornal britânico The Independent.