Uma morte com mais de dois milhões de testemunhos. Até ao momento. É o número de visualizações do vídeo de Lavish Reynolds, namorada do homem mortalmente baleado numa operação stop, que transmitiu em direto a situação.

A polícia de Minneapolis já confirmou a morte de Philando Castile, afro-americano, supervisor de cozinha. Foi ainda levado para o hospital, mas não resistiu. Decorre uma investigação para apurar as circunstâncias, mas os protestos de populares já estão nas ruas da cidade, em particular à porta da residência do governador do estado de Minnesota.

No dia anterior, um outro caso fatal ocorreu na localidade de Baton Rouge, no estado de Louisiana, quando dois polícias alvejaram um outro cidadão negro. Mais uma situação que está em investigação.

Quarta-feira à noite em Falcon Heights, nos subúrbios de Minneapolis, Philando Castile estava dentro do carro, ao volante. A sua namorada estava sentada ao seu lado e atrás estava uma menina. As duas, de acordo com a polícia, não foram feridas.

“Não acredito que eles fizeram isto”

Durante a transmissão em direto da agonia do homem baleado, com o dorso ensanguentado, Lavish Reynolds – também identificada por familiares como Diamond Reynolds – começa por relatar que o namorado tem licença de porte de arma e que estava apenas a tirar a identificação da carteira, colocada no bolso de trás.

Por favor, não me digam que ele se foi. Senhor agente, por favor, não me diga que lhe fizeram isto”, diz a mulher no vídeo, enquanto se vê o cano de um revólver da polícia pela janela aberta do carro.

Mais tarde, o vídeo de dez minutos, mostra que Lavish Reynolds é então obrigada a sair do carro. O telemóvel cai no chão, mas continua a transmitir. A mulher exalta-se, grita e só mais tarde se recompõe, quando a menina que estava no carro lhe diz estar bem.

"Para quê protestar, se se é morto"

Na manhã de quinta-feira, a mãe do jovem baleado, ouvida pela cadeia de televisão CNN, afirmava nunca ter pensado que “o filho seria morto por pessoas que era suposto protege-lo”. E perguntava desconsolada: “para quê protestar, se se é morto de qualquer maneira?”.

Os protestos, contudo, voltam a eclodir em vários pontos dos Estados Unidos. Casos de uso da força pela polícia contra cidadãos negros ocorreram recentemente em Ferguson, no Missouri, em Baltimore, Nova Iorque  e há dois dias no estado do Louisiana.

Minneapolis foi palco, no final do ano passado, de protestos por parte do movimento "Black Lives Matter" (As Vidas dos Negros têm Valor) contra os vários casos de mortes de cidadãos devido à ação da polícia.

No caso desta quarta-feira, os primeiros comentários da polícia à ocorrência dão conta de que estavam presentes dois agentes no local - embora pareçam surgir três nas imagens da transmissão em direto -, um dos quais com mais de cinco anos de serviço.

Jon Mangseth, sargento da polícia local, revelou ainda que um dos agentes foi já colocado fora de serviço por precaução.

O caso está agora a ser alvo de inquérito.