Duas importantes redes de pirataria da Somália estão implantadas no sector da pesca, indicou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, num relatório publicado quarta-feira. Uma delas está baseada na região de Puntland e a outra na de Mudug, de acordo com o mesmo relatório citado pela Agência Lusa.

«Parece que os grupos de piratas mais importantes estão implantados nas comunidades de pesca da costa somali, particularmente no nordeste e no centro da Somália e que a sua organização é o reflexo das estruturas sociais em clã da Somália», explicou Ban Ki-moon.

Em Puntland, a rede de pirataria baptizada como «grupo de Eyl», nome do bairro onde está implantada, detinha no final de 2008 seis embarcações e as suas tripulações, tendo ganho cerca de 30 milhões de dólares em resgates, segundo o mesmo relatório.

O secretário-geral da ONU sublinhou o aumento «das cumplicidades de membros da administração de Puntland nos actos de pirataria».

A rede de Mudug, implantada em Xarardheere, terá retido o cargueiro ucraniano Faina e três outras embarcações durante cerca de 5 meses, entre Setembro de 2008 e Fevereiro de 2009. O Faina e a sua tripulação de 20 pessoas foram libertados a 05 de Fevereiro em troca de um resgate de 3,2 milhões de dólares.

«É plenamente admissível que algumas destas redes rivalizem actualmente com as autoridades somalis em termos de capacidades militares e de recursos», comentou Ban Ki-moon.

Os piratas somalis atacaram mais de 130 navios mercantes ao largo da Somália no último ano, um aumento mais de 200 por cento em relação a 2007, segundo números do gabinete marítimo internacional.