Um grupo russo ligado ao cibercrime, apelidado de “Tsar Team” e “Fancy Bear” publicou na Internet alguns dados roubados à Agência Internacional Anti-Doping e ameaça revelar mais documentos. Em causa estão resultados de exames toxicológicos feitos a inúmeros atletas olímpicos, muitos deles medalhados, como é o caso da ginasta Simone Biles e da tenista Venus Williams.

Na página da Internet onde foram publicados os dados médicos, embora não tenha sido confirmada a sua legitimidade, os Fancy Bears apresentam-se como “uma equipa internacional de piratas informáticos”, que lutam “pelo jogo justo e desporto limpo”.

Juntamente com a publicação de alguns documentos secretos, o grupo russo promete avançar com provas associadas a “atletas famosos que tomaram substâncias de doping”.

Medalhados justificam a medicação

O Comité de Ginástica norte-americano revelou, entretanto, que grande parte dos documentos roubados eram relatórios de testes feitos à atleta Simone Biles, vencedora de quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em junho.

Os representantes do Comité avançaram, através de um comunicado, que foi autorizada uma terapêutica à ginasta, que embora representasse uma exceção, “não quebrou nenhuma regulação referente a testes de doping, mesmo nos Jogos Olímpicos do Rio”.

Entretanto, Biles já comentou o caso, através da conta pessoal no Twitter, revelando que lhe foi diagnosticado Transtorno do Défice de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Uma doença pela qual tem de ser medicada e que, por essa razão, levou a um pedido extraordinário para que a atleta tomasse alguns comprimidos.  

Ter TDAH e tomar medicação para isso não é nenhuma vergonha”, disse Biles.

 

Venus Williams também falou sobre o caso. Através de um comunicado a que a CNN teve acesso, a tenista norte-americana informa que os testes de doping que fez foram pirateados e confirmou que também tomava “terapêutica extraordinária”, embora não tenha avançado qualquer justificação.

Eu sou das pessoas que mais defende o grande nível de integridade no desporto competitivo e tenho sido muito disciplinada para seguir todas as indicações”, escreveu.  

Os resultados dos exames toxicológicos da jogadora de basquetebol Elena Delle Donne também foram revelados.

Gostava de agradecer aos piratas informáticos por darem a conhecer ao mundo que tomei legalmente medicação relativa a uma condição que me foi diagnosticada e que foi autorizada como exceção pela Agência Internacional Anti-Doping”, publicou a desportista na Internet.

 

A Agência Internacional Anti-Doping revelou que o grupo de espiões informáticos obteve a informação através de contas de correio eletrónico, onde acederam às palavras-passe da instituição.

O governo russo distancia-se do caso num comunicado emitido pelo porta-voz do presidente, Dmitry Peskov e publicado pela agência noticiosa do país.

Podemos dizer sem hesitar que qualquer envolvimento em alguma ação por parte do governo russo ou dos serviços secretos russos está estritamente fora de questão.  Está simplesmente descartada”, disse Peskov.

Esta não foi a primeira vez que a Agência Internacional Anti-Doping foi alvo de pirataria informática. Em agosto, a base de dados da atleta Yuliya Stepanova, que denunciou o esquema de doping dos atletas russos patrocinado pelo governo, também foi pirateada.