Diz a história que Vincent van Gogh teria dado o último suspiro em 1890, depois de 29 horas agonizantes na sequência de um disparo em si mesmo, num campo de trigo, perto de Paris. No entanto,  passados 124 depois, um médico vem agora dizer que o autor da conhecida tela com girassóis poderá ter sido assassinado.
 
Em entrevista à revista Vanity Fair, Vincent Di Maio, médico líder da investigação, perito em feridas de balas, disse que acredita que a marca da ferida revela que o tiro não poderia ser «auto-infligido».
 
Di Maio fez estas declarações em resposta a um pedido de ajuda feito por Steven Naifeh e Gregory White Smith, co-autores de uma biografia de van Gogh, vencedora do prémio Pulitzer.
 
O médico legista baseou-se na descrição da ferida em van Gogh feita por Paul Junior, filho do médico que permaneceu do lado do pintor nas últimas horas de vida.
 
O jornal «Daily Mail» escreve que a descrição da «auréola castanha e roxa» fomentaram a teoria do suicídio, uma vez que os médicos acreditavam que as marcas roxas se deviam à proximidade com que a bala foi cravada no peito e que as marcas castanhas seriam queimaduras de restos de pólvora. Mas para Di Maio, essas marcas não significam nada.
 
«Trata-se de um sangramento subcutâneo provocado pelo corte de alguns vasos pela bala e é normalmente visto em indivíduos que vivem ainda um bocado depois do ferimento. A sua presença ou falta dela não significam nada», explicou Di Maio.
 
«É extremamente difícil atirar no próprio a partir daquela localização com a mão esquerda», explicou o médico.
 
Como com a mão direita seria ainda mais difícil, o mais provável seria utilizar as duas mãos, mas alguém que tivesse pegado na arma assim e àquela distância teria que ter queimaduras, só que não há nenhuma referência a isso nos documentos da altura.
 
 «É minha opinião que, de acordo com todas as probabilidades médicas, a ferida de van Gogh não foi provocada por ele. Por outras palavras, ele não atirou nele próprio», conclui o especialista.
 
O «Daily Mail» reuniu alguns dados da época que parecem ir ao encontro desta a teoria, como o facto de o pintor ter encomendado mais telas, o que significaria que pretendia continuar a pintar.
 
Em 1930, o académico John Rewald perguntou aos residentes, que eram vivos na altura da morte, o que é que sabiam. Uns disseram que van Gogh tinha sido assassinado acidentalmente por um tiro de um grupo de «jovens», mas que o artista teria omitido o fato para protegê-los, alegando suicídio. Será que 134 anos depois se vai provar o contrário?