Os bancos privados e públicos da Venezuela vão passar a usar a criptomeda venezuelana Petro como unidade contabilística, segundo uma ordem emitida pela Superintendência das Instituições do Setor Bancário (Sudeban).

O supervisor ordena (aos bancos) a obrigação de adotar o petro como unidade de conta, segundo o estabelecido no processo de reconversão monetária", de acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira pelo Sudeban.

O documento ordena aos bancos que realizem "as adequações correspondentes, na plataforma tecnológica que suporta a página web" para mostrar nas diferentes consultas, "como informação adicional, todas as operações, transações e/ou movimento na unidade de conta petro, assim como em bolívares soberanos".

De acordo com a Sudeban, o valor do petro e do bolívar soberanos devem ter como referência a cotação diária publicada pelo Banco Central da Venezuela.

Os bancos devem ainda adaptar os sistema de mensagens de telemóveis para permitir o uso o petro e do bolívar soberanos.

O valor atual de um petro é de 3.600 bolívares soberanos, a moeda que entrou em circulação na passada segunda-feira, como resultado de uma reconversão monetária que eliminou cinco zeros ao bolívar forte.

O valor do petro, por sua vez, está anexado ao valor do preço do barril de petróleo venezuelano.

Panamá pede ajuda

O Panamá apelou sexta-feira aos países do continente americano que ajudem a encontrar uma solução para apoiar os venezuelanos que escapam da crise político, económica e social na Venezuela.

As informações que recebemos dos êxodos massivos da Venezuela apertam-nos Jamais imaginámos que os cidadãos de um país tão abençoado em recursos enfrentariam tais situações" escreveu a ministra dos Negócios Estrangeiros do Panamá na sua conta do Twitter.

De acordo com Isabel de Saint Malo é urgente "uma solução para esta crise e dar apoio à região para encontrar uma solução".

O apelo da ministra panamiana acontece depois de o Equador suspender, sexta-feira a exigência de passaporte aos venezuelanos para poderem entrar naquele país.

Também na sexta-feira a Organização Internacional das Migrações advertiu que a fuga de venezuelanos para países da região, para os EUA, o Canadá e a Espanha, pode converter-se numa crise internacional.

Por outro lado, o diretor adjunto do Programa da América Latina do Centro de Estudos Wilson, Eric Olson disse aos jornalistas que "a crise migratória venezuelana requer soluções multilaterais devido às suas dimensões e aos efeitos que começa a gerar em todos os países do continente".

Para Eric Olson nenhum país pode responder individualmente a este problema, países como a Colômbia, o Equador e o Peru precisam de conversar e chegar a acordos.

Além destes países, os venezuelanos têm viajado milhares de quilómetros para chegar ao Chile e à Argentina.

No Panamá estão radicadas algumas dezenas de milhar de venezuelanos.

Dados não oficiais dão conta que mais de 3 milhões de venezuelanos abandonaram a Venezuela nos últimos anos.