As sondagens parece ser as primeiras grandes perdedoras das eleições deste domingo em Espanha.

Esta é uma primeira leitura feita por Paulo Portas. O ex-governante esteve em Madrid a observar de perto o escrutínio de hoje, seis meses depois de um outro em tudo semelhante, menos no resultado do PP de Rajoy.

Os dois partidos tradicionais em Espanha, responsáveis pela construção da economia, terão desmentido as sondagens, disse Porta num comentário aos resultados para a TVI, horas antes de estarem apurados os números finais.

Na opinião do ex-vice-primeiro-ministro, “a única coisa que é certa e segura, neste momento, é que a Espanha não deverá ter umas terceiras eleições e, por tanto, os partidos políticos terão que mostrar vontade de compromisso”.

Um desejo visível na opinião de muitos espanhóis, cansados do impasse político que em nada contribui para a recuperação do país, que também está a braço com os procedimentos por défice excessivo que, tal como em Portugal, lhe poderá custar sanções aplicadas por Bruxelas.

Espanha não quer mais eleições e os partidos, todos minoritários – embora o PP ganhe alguma vantagem na votação de hoje – terão que se entender.

Se isso é um governo minoritário do PP, consentido pelo Ciudadanos e pelo PSOE, sobretudo se o PSOE sentir um mínimo de confiança. Ou se é uma aliança de esquerdas com o Podemos, depende muito da posição relativa de cada partido”, acredita Portas.

Certo é que o Podemos, mesmo unindo-se à Esquerda Unida, só conseguiu mais dois deputados, que são produto, exatamente, desta ligação partidária. Iglesias acabou por falhar o objetivo de destronar o PSOE como segunda força política.

Portas não esconde que considera o Podemos "um partido muito extremista, ainda com uma componente anarquista” mas reconheceu que Iglesias é “é provavelmente o líder político espanhol mais eficaz em televisão”. E recorda que Iglesias, durante a campanha eleitoral, revelou “um sinal de simpatia por Zapatero dizendo que era o melhor presidente da democracia em Espanha e que, quando havia questões graves, o ouvia muito. O que pode querer dizer que há conversas, discretas, entre um segmento do PSOE e um segmento do Podemos”.

Esse também seria um caminho? Fica a pergunta. Mas Paulo Portas volta a repetir “o PSOE é um partido constitucionalista, da Espanha inteira, incluindo Catalunha espanhola. O Podemos é outra história…. "