Foram realizadas buscas na cidade francesa de Lyon na noite de domingo para segunda-feira, que resultaram na detenção de cinco indivíduos. Por todo o país, as autoridades avançaram com 168 buscas. 

Essas operações resultaram 23 detenções, 104 pessoas proibidas de sair de casa e 31 armas apreendidas

Só em Lyon, foram apreendidas armas nas casas dessas pessoas, incluindo um lançador de rockets. "Arsenal de guerra", descreveu uma fonte citada pela AFP. 

Esta operação anti-terrorista, semelhante a outras realizadas em França, não tem ligação direta aos atentados de sexta-feira, em Paris, mas é realizada sob o estado de emergência a nível nacional decretado por Francois Hollande. 

O primeiro-ministro francês admitiu hoje de manhã, em entrevista à RTL, a possibilidade de existirem novos ataques terroristas "nos próximos dias, nas próximas semanas". 

Daí que tenham sido levadas a cabo uma série de operações antiterroristas, em várias cidades francesas, esta madrugada, sobretudo em meios islâmicos, como Bobigny (Seine-Saint-Denis)e  Toulouse (Haute-Garonne), onde pelo menos três pessoas foram detidas no bairro de Mirail, onde viveu Mohamed Merah, o terrorista que assolou  Toulouse em 2012. Foram apreendidas uma arma e droga, sem qualquer ligação direta com os ataques. 

As autoridades estiveram ainda cerca de uma hora em Grenoble, uma operação que resultou em mais de seis detenções, apreensões de armas e de dinheiro. Alegadamente, os detidos estarão ligados ao tráfico de armas e não haverá ligação direta com os ataques de Paris. Também em Jeumont, houve aparato policial durante a noite. 


Fechar mesquistas "radicais"


Hoje, Manuel Valls reforçou a mensagem de que o controlo de fronteiras inclui não só as terrestres, mas também as fronteiras aéreas. "Fechar as fronteiras é impedir que as pessoas passem.  O controlo de fronteiras está reestabelecido. Mais de 150 buscas foram realizadas. Agimos".

Questionado sobre a "dissolução das mesquitas radicais", a que se referiu no fim-de-semana o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, Manuel Valls defendeu que será necessário "expulsar os estrangeiros que defendam ideais contra a República. É necessário fechar mesquitas, associações" que tenham esse género de propostas. 

"Nenhum elemento, nenhuma ação será posta de lado. Vamos agir com a maior determinação", avisou. 


Cimeira do clima mantém-se, eventos paralelos não


A conferência da ONU sobre o clima, a partir de 29 de novembro, em Paris, mantém-se, confirmou o primeiro-ministro. Concentrar-se-á nas negociações, sendo que os concertos e iniciativas festivas paralelas serão “sem sombra de dúvida canceladas”.

"Todos os chefes de Estado e de governo do planeta irão e vão levar uma mensagem ao mundo inteiro de apoio e de solidariedade para com a França. Nenhum chefe de Estado, de governo, pelo contrário, nos pediu para adiar a sua vinda. Todos querem estar lá. Penso que seria o contrário de abdicar perante o terrorismo".

"A França será a capital do mundo. Paris é a capital do mundo”, afirmou.