A "marcha republicana" convocada para domingo em Paris deverá ser uma das maiores manifestações dos últimos anos na capital francesa, juntando quase todos os quadrantes políticos, intelectuais e religiosos do país, para além de numerosas personalidades e políticos internacionais.

Para além dos responsáveis políticos dos maiores países europeus, como a Alemanha, Reino Unido e Itália, e da generalidade dos políticos, figuras públicas, intelectuais e líderes religiosos franceses, a manifestação convocada no seguimento do homicídio de 12 jornalistas e cartoonista da publicação satírica «Charlie Hebdo» na quarta-feira, promete reunir perto de um milhão de pessoas, segundo a France Presse.

Hoje, cerca de 700 mil pessoas manifestaram-se por toda a França em solidariedade com os 17 mortos nos ataques terroristas desta semana, informou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Entre os políticos que já confirmaram a sua presença para domingo estão o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, e a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, os chefes do Governo de Espanha, Itália, Reino Unido, Turquia e Alemanha, e representantes governamentais da Rússia e do Egito, país que mantém uma tensa relação diplomática com a França.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, aliás, disse mesmo que só participaria na manifestação se não existissem cartazes com caricaturas do profeta Maomé, proibindo qualquer funcionário da embaixada daquele país de participar caso isso acontecesse.

Para as autoridades francesas, a presença de tantas pessoas e de tantas personalidades mediáticas e políticas justifica a tomada de medidas excecionais de segurança.

Para além da manutenção do mais alto estado de alerta na capital francesa, uma vez que a ameaça contra a França mantém-se, segundo o Governo, haverá mais 5.500 forças de segurança a patrulhar o evento, quer em uniforme, quer à paisana, de acordo com a AFP.

A 'marcha republicana' fará o tradicional percurso entre a Praça da Nação e a Praça da República, perto da sede do jornal satírico Charlie Hebdo.

Desde quarta-feira, registaram-se três incidentes violentos na capital francesa, incluindo um sequestro, que, no total, fizeram 20 mortos e começaram com o ataque ao «Charlie Hebdo».

Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, foram mortos na sexta-feira na sequência do ataque de forças de elite francesas a uma gráfica, em Dammartin-en-Goële, nos arredores da cidade, onde se barricaram.

Na quinta-feira, foi morta uma agente da polícia municipal, a sul de Paris, tendo a polícia estabelecido «uma conexão» entre os dois ‘jihadistas’ suspeitos do atentado ao «Charlie Hebdo» e o presumível assassino.

Na sexta-feira, ao fim da manhã, cinco pessoas foram mortas num supermercado "kosher" (judaico) do leste de Paris, numa tomada de reféns, incluindo o autor do sequestro, que foi morto durante a operação policial.