O menino de quatro anos que ficou pendurado na varanda do quarto andar de um prédio em Paris terá caído do 6.º piso, onde vive, antes de ser salvo por Mamoudou Gassama.

A televisão francesa BFM TV falou com o porteiro do prédio, que confirmou que o pai e a criança vivem no sexto andar daquele prédio e que o quinto piso não está habitado, numa altura em que ainda não é claro como o menor foi parar à varanda do quarto andar, sabendo-se, apenas, que o pai não estava casa e que a mãe estava na ilha francesa da Reunião, onde vive.

A progenitora reagiu, na segunda-feira, ao incidente que podia ter sido fatal para o filho.

Podia ter corrido muito pior. Neste momento, estou aliviada, mas deserta de ver o meu filho e o meu marido", desabafou ao canal francês Antenne Réunion

A mãe, que estava a cerca de 9 mil km do filho, em pleno Índico, soube do incidente pela polícia judiciária francesa, que lhe telefonou. Depois, acabou, inevitavelmente, por ver o vídeo que se tornou viral nas redes sociais, sentindo-se chocada. 

Não o devia ter visto... é o meu filho naquelas imagens. E eu tinha-o visto uma hora antes através de videochamada", contou.

De acordo com o procurador de Paris, François Molins, o pai da criança não estava em casa, tinha saído para fazer umas compras e demorou a regressar por ter ficado a jogar Pokémon Go. O pai foi levado para interrogatório no domingo e na segunda-feira foi presente ao procurador, tendo ficado marcada uma audiência em tribunal para 25 de setembro. A criança vai, agora, ser entregue ao progenitor, uma vez que as autoridades excluem a possibilidade de a vida do menor estar em risco, ainda que tenha ficado sinalizada na segurança social francesa. 

Não consigo justificar a atitude do meu marido... Podia ter acontecido com outras pessoas, como aconteceu com outras pessoas, mas o meu filho teve sorte"assumiu. 

O menino de quatro anos e meio deve a sua vida a Mamoudou Gassama, que trepou quatro andares para salvá-lo. O maliano, de 22 anos, viu o seu ato de bravura recompensado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que lhe prometeu a cidadania francesa e a possibilidade de integrar o corpo de bombeiros.

Quando questionada a mãe sobre o que lhe dizia se o visse, a resposta foi rápida. 

Obrigada", disse a mãe do menino. "Espero poder conhecê-lo."

Mas também a rápida atuação do vizinho do quarto andar foi determinante para a segurança do menino. À BFM TV explicou por que motivo não puxou a criança, motivo pelo qual tem sido muito criticado. O homem contou que teve receio que as roupas se rasgassem e, por isso, optou por ser cauteloso, tratando de garantir que agarrava primeiro no braço do menino.

Agarrei-o pelo braço, depois de ele me dar a mão. Tinha-o agarrado, ele não poderia cair."

No vídeo pode não ser percetível à primeira vista, mas a criança tem os pés apoiados numa saliência da varanda. Aliás, o próprio Mamoudou Gassama apoia os pés nessa saliência quando sobe pelas varandas.

Disse-lhe para avançar devagarinho na minha direção e ele assim fez. Quis agir com prudência, não quis colocar a vida do menino em risco", esclareceu, ainda, o vizinho.