Num evento organizado para homenagear as vítimas do atentado do ano passado, em Peshawar, no Paquistão, Malala Yousafzai emocionou-se ao ouvir os relatos de alguns sobreviventes do ataque. A vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2014 chorou e fez ainda um discurso, onde afirmou que só através da educação se pode vencer o terrorismo.

A cerimónia, organizada pela ativista e por dois dos sobreviventes, teve lugar em Birmingham, no Reino Unido, juntou-se à marcha solidária pelas vítimas do atentado a uma escola em Peshawar, no ano passado, no Paquistão. No dia 16 de dezembro de 2014, um grupo de talibãs invadiu as salas e matou 141 pessoas, entre as quais estavam 134 crianças.

De acordo com a AFP, Malala verteu algumas lágrimas durante o relato dos sobreviventes, que lhe fizeram relembrar a sua própria experiência com o grupo extremista, que tentou matá-la com um tiro na cabeça em 2012.
 

“Eu vi o meu professor a ser queimado vivo nesse incidente, assim como os amigos com quem brincava”, recordou um dos sobreviventes, Nawaz. “Eu estava rodeado dos corpos desses meus amigos que foram mortos. Por isso foi a experiência mais horrível da minha vida e com a qual ainda tenho pesadelos”.


Durante o atentado, Nawaz foi ferido e o irmão morto. O outro organizador, que também esteve presente na cerimónia, Ibrahim, ficou numa cadeira de rodas depois do ataque.

Segundo o The Guardian, outro aluno, Mehran Khan, de 14 anos, afirmou que “toda a gente na escola está traumatizada” e teme que haja outro ataque.

O jovem contou que no dia do atentado grande parte das crianças não conseguiu sair do edifício, por isso os corredores foram tornados numa cena de terror. Quando as televisões paquistanesas foram autorizadas a entrar na escola, as paredes e o chão ainda estavam húmidos por causa do sangue.

Durante a cerimónia, Malala comparou as atrocidades cometidas no Paquistão com os atentados de 13 de novembro, em França, e disse que é preciso melhorar a educação para acabar com o terrorismo.
 

“Estão a acontecer estes ataques terroristas, por exemplo o que aconteceu em Paris e em Peshawar há um ano. Não é precisa melhor educação apenas no Paquistão, mas em todo o mundo. Se queremos acabar com o terrorismo precisamos de ter educação de qualidade, para derrotar a mentalidade terrorista e o ódio”.


A ativista aproveitou também o evento para criticar as posições polémicas do candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, que disse recentemente que deveria ser “barrada a entrada de muçulmanos” no país. Malala classificou os seus comentários como “ trágicos e cheios de ódio”.