Quatro familiares de uma mulher grávida que foi espancada até à morte fora de um dos principais tribunais do Paquistão foram condenados à morte, esta quarta-feira, pelo crime. A notícia é avançada pela agência Reuters, que cita o advogado de defesa.

A família da mulher de 25 anos matou-a porque se opunha ao casamento. O homicídio de Farzana Iqbal, em maio, chamou de forma breve a atenção para a epidemia de violência contra as mulheres no Paquistão.

O pai, o irmão, o primo, e um outro familiar de Farzana Iqbal foram condenados à morte e a uma multa de 1.000 dólares (800 euros), disse o advogado de defesa Mansoor Afridi. Um outro primo foi condenado a 10 anos de prisão e também multado em 1.000 dólares (800 euros).

O Paquistão tem atualmente uma moratória sobre as execuções, ou seja, os prisioneiros do corredor da morte são efetivamente condenados à prisão perpétua. Mansoor Afridi revela que a família planeia recorrer da sentença. O veredicto foi «uma decisão baseada no sensacionalismo», defende.

Mulheres são assassinadas todos os dias no Paquistão por «deslizes» contra tradições sociais conservadoras. O crime é tão comum que raramente lhe é dedicado mais do que um parágrafo nos jornais.

Mas o caso de Farzana Iqbal chamou a atenção porque ocorreu numa rua movimentada fora do Supremo Tribunal provincial, onde ela tinha ido em busca de proteção. A família espancou-a até a morte com tijolos enquanto o marido, Muhammed Iqbal, implorou ajuda aos polícias nas proximidades. Os agentes não intervieram.

Iqbal admitiu depois que assassinou a primeira esposa para se casar com Farzana. Ele escapou da punição porque o filho o perdoou. De acordo com a lei paquistanesa, o parente mais próximo de uma mulher pode perdoar os seus assassinos.

Em 2013, foram notificados 869 casos dos chamados «crimes de honra» nos meios de comunicação, de acordo com a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão. O número real é provavelmente maior, já que muitos casos não são notificados.