Uma mulher e duas das suas netas foram mortas por um grupo de pessoas na sequência de comentários considerados «blasfémicos» publicados na rede social Facebook por um membro da comunidade religiosa a que pertenciam, segundo as autoridades paquistanesas, nesta segunda-feira.

As vítimas, entre as quais se encontram uma menina de sete anos e uma bebé, pertencem à comunidade religiosa Ahmadi, que se considera muçulmana mas que à luz da lei do Paquistão não o é, estando mesmo proibida de se manifestar.

Segundo a polícia, o surto de violência religiosa na cidade de Gujranwala, a 220 quilómetros sudoeste da capital Islamabad, começou com uma altercação entre jovens, um deles Ahmadi, acusado de publicar «material censurável» no Facebook.

«Mais tarde, um grupo de cerca de 150 pessoas compareceu na esquadra a exigir que o caso fosse registado como blasfémia», contou um polícia, citado pela agência Reuters.

«Enquanto um agente tentava negociar com aquele grupo, formou-se outro que começou a atacar e a incendiar casas de Ahmadis», explicou.

Os jovens acusados de «comentários blasfémicos» no Facebook escaparam ilesos, mas o mesmo não aconteceu a uma avó e às suas netas menores.

De acordo um porta-voz dos Ahmadi, tratou-se do pior ataque desde há quatro anos, quando morreram 86 elementos daquela comunidade.

As acusações de blasfémia estão a aumentar no Paquistão, passando de uma em 2011 para 68 em 2013, segundo a Comissão dos Direitos Humanos no país. Este ano, pelo menos 100 pessoas foram já acusadas de blasfémia.