O Papa defendeu, este domingo, a indissolubilidade do casamento, condenou o divórcio e reiterou que a família é composta por um homem e uma mulher, ao inaugurar num tom muito severo o Sínodo dos Bispos sobre a família, que durará até 25 de outubro. Num tom grave e particularmente preocupado, Francisco estabeleceu as linhas vermelhas para este Sínodo, com palavras que se querem tranquilizadoras para os católicos mais conservadores.

Na homilia, pronunciada durante a missa solene na Basílica de São Pedro, em Roma, diante de 400 cardeais e bispos de todo o mundo, o Sumo Pontífice reconheceu que a Igreja deve defender os valores tradicionais num "contexto social e matrimonial bastante difícil.”

De acordo com a Reuters, o Papa reafirmou fortemente o dogma católico sobre o casamento, necessariamente celebrado entre um homem e uma mulher. O que Deus uniu, o homem não pode separar, disse, citando o Evangelho.

“Deus uniu os corações de duas pessoas que se amam (…) na unidade e indissolubilidade”, reafirmou Francisco. E este casal não pode ser senão formado por um homem e uma mulher, de acordo com o Pontífice.


“Este é o sonho de Deus para a sua bem-amada amada criação: a vida a realizar-se na união de amor entre um homem e uma mulher, que se regozijam na sua jornada compartilhada, fecunda na doação recíproca”, disse o Papa durante a missa.
 

“O que Deus uniu, que o homem não separe. Esta é uma exortação para os crentes para que superem qualquer forma de individualismo e legalismo que esconde um egoísmo e um medo de aceitar o verdadeiro significado do casal e da sexualidade humana no plano de Deus”, acrescentou Francisco num discurso muito firme.


A reafirmação do dogma católico sobre o casamento acontece 24 horas depois da revelação de um funcionário da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, que no sábado revelou ser homossexual e denunciou “a homofobia institucionalizada” na Igreja Católica.

O Vaticano condenou de imediato o gesto do padre polaco, Krysztof Olaf Charamsa, qualificando-o de “muito grave e irresponsável”. Charamsa foi afastado das funções que exercia junto da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregue de zelar pelo bom respeito do dogma católico, à qual pertencia desde 2003.