O documento não deveria ter sido conhecido antes do dia 18 de junho, mas a revista italiana "L'Espresso" obteve-o antes e publicou os excertos mais significativos na segunda-feira passada, um ato qualificado pelo Vaticano "como uma sabotagem contra o papa".

Na encíclica "Laudato Si'", o papa Francisco faz uma análise clara e pessimista sobre o estado do ambiente do planeta. Se não houver uma mudança significativa de estilos de vida nos países mais poluentes e uma redução no consumo de energia, teremos, até ao final deste século, "uma destruição sem precedentes do ecosistema" que trará "graves consequências para todos nós", afirma o documento.

O papa não foge da questão do aquecimento global e identifica o Homem como o principal causador das alterações climáticas:

"Numerosos estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento global das últimas décadas se deve à grande concentração de gases que causam o efeito de estufa (...) emitidos, acima de tudo, por causa da atividade humana".

Esta opinião papal, claramente alinhada com as do movimento ecologista e as dos principais cientistas desta área, causará certamente alguns engulhos entre os católicos dos Estados Unidos e da Austrália, dois países onde a negação do aquecimento global tem muitos defensores. Nesta encíclica, o papa não se esquivou mesmo a criticá-los:

"As atitudes que bloqueiam o caminho a uma solução, mesmo entre os crentes, vão desde a negação do problema, à indiferença, passando pela resignação conveniente e pela fé cega em soluções técnicas".

Para contrariar estes obstáculos à mudança necessária, o papa recupera uma ideia já apresentada pelo seu antecessor, Bento XVI: a criação de um grande organismo internacional responsável pela redução da poluição e pelo combate à pobreza nos países mais pobres.