O Papa Francisco criticou, esta quarta-feira, no final de uma visita ao México, a posição de Donald Trump em relação aos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, nomeadamente, a intenção de construir um muro na fronteira entre os dois países, para impedir a entrada de mais migrantes.

“Uma pessoa que pensa em construir muros, sejam quais forem, e não pontes, não é cristão. (…) Este homem não é cristão se diz coisas como estas. Temos de ver se ele disse as coisas dessa forma, e [por isso] dou-lhe o benefício da dúvida.”   

Como escreve a BBC, os comentários do Papa Francisco referiam-se, também, à intenção expressada pelo candidato pré-republicano, durante a pré-campanha eleitoral, de deportar 11 milhões de imigrantes ilegais se for eleito.

As declarações do sumo pontífice já tiveram resposta de Donald Trump, que as considerou “vergonhosas”.

“É vergonhoso que um líder religioso questione a fé de alguém. Tenho orgulho em ser cristão. Nenhum líder, especialmente um religiosos, tem o direito de questionar a fé de um homem. (…) [Francisco] disse coisas negativas sobre mim, porque o Governo do México o convenceu de que [não sou] um homem bom”.

“Não acho que o Papa perceba o perigo de uma fronteira aberta com o México”, acrescentou.

Numa ação de campanha no Estado da Carolina do Sul, Trump disse, ainda, que se um dia o Estado Islâmico atacar o Vaticano, o papa vai desejar que ele seja o presidente dos EUA.

“[O Vaticano] é o troféu final do Estado islâmico. Se, e quando, [o grupo terrorista atacar] o papa vai desejar que o Donald Trump tivesse sido eleito presidente, porque isso não teria acontecido”.