A organização britânica não lucrativa Pancreatic Cancer Action, que visa recolher fundos na luta contra o cancro no pâncreas, lançou uma campanha que chocou outros doentes com cancro. No vídeo, que tem causado polémica, vê-se algumas pessoas a dizer «queria ter cancro da mama» ou «queria ter cancro nos testículos». E, na realidade, todos os que aparecem sofrem de cancro no pâncreas. Não foram contratados atores, escreve o jornal britânico «Daily Mail».

A ideia da organização era alertar que a possibilidade de cura de um cancro no pâncreas é muito pequena, ronda os três por cento. E quanto mais tardio for o diagnóstico, menor é a probabilidade. Aliás, a maioria dos doentes a quem é diagnosticado este tipo de cancro sobrevive mais quatro a seis meses. Os números indicam que há 85% de possibilidade de sobreviver a um cancro da mama e 97% de vencer o cancro nos testículos.

No entanto, muitas vítimas de cancro da mama e dos testículos consideram a campanha «insensível e repugnante». A revolta nas redes sociais não tardou e chegou aos meios de comunicação social.

Quem sofreu deste tipo de cancros garante que «só quem passou por eles, sabe o que se sofre». Outros alegam que «uma morte por cancro é sempre uma morte e, perante a morte, não interessa as estatísticas».

Ali Stunt, fundadora da Pancreatic Cancer Action já veio a público defender a campanha. Quando lhe foi diagnosticado cancro no pâncreas, em 2007, na altura com 41 anos de idade, ficou chocada com as probabilidades de vencer a doença. E confessou ao «Daily Mail», que desejou muitas vezes ter outro tipo de cancro.