David Cameron está a ser pressionado para explicar, diante do parlamento britânico, o seu envolvimento no escândalo Papéis do Panamá, depois de, esta quinta-feira, o primeiro-ministro britânico ter admitido que lucrou com a empresa offshore detida pelo pai entretanto falecido. Altas figuras do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição, do Scottish National Party, dos liberais e dos ecologistas exigem mais esclarecimentos.

O líder dos trabalhistas, John McDonnell, considera que a confiança em Cameron está debilitada, depois da polémica e, sobretudo, depois de inicialmente ter negado qualquer envolvimento no caso e de ter avançado com vários comunicados, com diferentes versões, até à admissão final, esta quinta-feira. McDonnell considera “não está em causa a resignação do primeiro-ministro, por enquanto”.  

“O que acontece, depois dos últimos dias, é que estamos perante uma significante erosão da confiança no primeiro-ministro, porque ele não foi correto e não respondeu às questões de uma forma séria. A verdade teve de ser arrancada de dentro dele.”

“As revelações das últimas 24 horas mostram que, afinal, ele lucrou com a atividade do pai numa empresa offshore. Ele devia tê-lo admitido desde o início. E as pessoas teriam feito, de imediato, os seus juízos de valor”, acrescentou o líder trabalhista, citado pelo The Guardian.

O primeiro-ministro britânico admitiu esta quinta-feira que lucrou com uma participação num fundo de investimento offshore do pai, Ian Cameron. De acordo com o jornal britânico The Guardian, o primeiro-ministro britânico vendeu por mais de 30 mil libras (perto de 37 mil euros) a sua parte na Blairmore Investment Trust, gerida pelo progenitor, apenas quatro meses antes de se mudar para Downing Street.

Quando o escândalo envolvendo o seu nome rebentou, David Cameron negou categoricamente ter contas ou ser acionista de fundos em paraísos fiscais. Mas esquivou-se a responder se algum dia beneficiou de um esquema de evasão fiscal.