O gabinete de David Cameron veio esclarecer que o primeiro-ministro britânico não beneficiou de nenhuns fundos offshores, na sequência da divulgação dos Papéis do Panamá

O líder da oposição no Reino Unido, Jeremy Corbyn, reclamou, esta terça-feira, uma auditoria às finanças de todos os britânicos envolvidos no escândalo dos Papéis do Panamá. E David Cameron não é exceção. Pelo contrário, Jeremy Corbyn considerou que o primeiro-ministro deve “dar exemplo” e divulgar os seus rendimentos.

A divulgação da informação de que o pai de David Cameron tinha fundos offshore já obrigou a uma reação do primeiro-ministro britânico. Na tarde desta terça-feira, um porta-voz anunciou que David Cameron, a mulher e os filhos “não beneficiaram de nenhuns fundos offshore, cita a BBC. Esta declaração veio responder à questão deixada em aberto por David Cameron de manhã, durante uma visita.

O primeiro-ministro afirmou que “não tinha ações” ou fundos offshore, mas não esclareceu, na altura, se a sua família tinha beneficiado de alguns investimentos offshore detidos pelo pai já falecido.

“Tenho o salário de primeiro-ministro e algumas poupanças e tenho uma casa em que vivia até nos mudarmos para Downing Street, e é tudo o que tenho”, disse David Cameron, citado pela BBC.

David Cameron realçou ainda que nenhum outro primeiro-ministro tinha “feito mais” para combater a evasão fiscal do que ele.  

O homem forte dos Trabalhistas esclareceu que este “não é um assunto privado se o imposto não foi pago”, pelo que “deve haver lugar a uma investigação independente”.

Mas, Jeremy Corbyn não se alongou sobre a hipótese de pedir a demissão de Cameron caso fique provado algum benefício fiscal: “Uma coisa de cada vez”.

O pai de David Cameron

O nome do pai de David Cameron, falecido em 2010, é mencionado nos documentos do escritório de advogados Mossack Fonseca, com sede no paraíso fiscal do Panamá. Ian Cameron era um dos cinco diretores britânicos da  Blairmore Holdings, que é visado em reuniões nas Bahamas e na Suíça. A BBC explica que, se as reuniões tivessem tido lugar em Londres, já havia lugar ao pagamento de impostos.

A companhia Blairmore também detinha “ações ao portador”, um bem sem nome e sem rasto. Estas ações foram proibidas pelo Reino Unido em 2015.

Os Papéis do Panamá são a maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, que envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, com sede em Washington, do qual a TVI, juntamente com o Expresso, faz parte e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação de 11,5 milhões de documentos sobre quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.