Israel começou a retirar os detetores de metais na entrada da Esplanada das Mesquitas, na Cidade Velha de Jerusalém, onde se situa a mesquita de al-Aqsa, o terceiro mais importante local sagrado para os muçulmanos. Os fortes protestos nos últimos dias já provocaram, pelo menos seis mortos desde sexta-feira, entre palestinianos e israelitas.

A decisão foi tomada na noite de segunda-feira pelo gabinete de segurança israelita e adotada pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

A recomendação de todos os corpos de segurança de mudar a inspeção com detetores de metais para a inspeções baseadas em tecnologias avançadas e outros meios", é a forma como o gabinete de Netanyahu assume as alterações.

De acordo com o site da cadeia britânica BBC, o comunicado do governo refere que uma verba da ordem dos 24 milhões de euros foi disponibilizada para pagar novos equipamentos, que serão instalados nos acessos à Cidade Velha no parzo de seis meses.

Segundo um participante na reunião de segurança, ouvido diário israelita Haaretz, Israel irá também retirar algumas das câmaras instaladas no local.

Violência e cautelas

A instalação de detetores de metais, de mais câmaras de vigilância e a proibição aos palestinianos com menos de 50 anos de acederem à Esplanada das Mesquitas provocou violentos protestos e, pelo menos, três mortes na passada sexta-feira.

Nesse mesmo dia, no que aparentemente foi um ato de retaliação, um palestiniano esfaqueou mortalmente três israelitas, dentro de sua casa num colonato judaico na margem ocidental do rio Jordão.

A escalada de violência levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a uma reunião de urgência, na segunda-feira, à porta fechada.

É extremamente importante que a solução para a corrente crise seja encontrada até à próxima sexta-feira. Creio haver o perigo de uma escalada de um novo ciclo de violência se chegarmos às orações de sexta-feira sem uma resolução para esta crise", salientou, depois da reunião, Nikolay Mladenov, o representante especial das Nações Unidas para o Médio Oriente.

O búlgaro Mladenov alertou ainda para que "ninguém caia no erro de pensar que estes acontecimentos são localizados. De facto, ocorrem num par de centenas de metros quadrados, mas afetam milhões, senão biliões de pessoas em todo o mundo".

Há o potencial de terem custos catastróficos para além dos muros da Cidade Velha, para além de Israel e da Palestina, para além do próprio Médio Oriente", sublinhou o representante da ONU.

Crise com a Jordânia

À margem do aumento dos protestos e violência em Jerusalém, a situação agudizou-se também devido à morte de dois cidadãos jordanos em Amã, mortos por um segurança da embaixada israelita.

As autoridades jordanas insistiram em interrogar o segurança, enquanto Israel, que o considera sob imunidade ao abrigo da Convenção de Viena, queria retirar todo o seu pessoal diplomático da embaixada na capital da vizinha Jordânia.

O chefe da agência de segurança israelita, o Shin Bet, esteve segunda-feira na Jordânia, tentando resolver a crise diplomática, segundo noticia o jornal israelita Haaretz. Sabe-se agora que o segurança, autor dos disparos mortais contra dois civis jordanos, já regressou a Israel.

Esta terça-feira de manhã, ao saberem que o segurança tinha voltado a Israel sem responder perante a justiça, os deputados jordanos saíram do parlamento numa marcha de protesto.

A crise diplomática entre Israel e a Jordânia é tida como um dos mais graves incidentes desde o acordo de paz entre os dois países, assinado em 1994.

O diferendo surge tendo como pano de fundo os violentos protestos criados pelas medidas de segurança que Israel impôs na Cidade Velha de Jerusalém. A Jordânia é responsável pela mesquita de al-Aqsa, apesar da zona estar ocupada pelos israelitas há 50 anos, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.