O partido espanhol Podemos apresentou, esta terça-feira, o programa para as eleições autonómicas de 24 de maio. O documento deixa de lado as medidas mais radicais do partido, como a renda básica universal, e, de acordo com o “El País” procura agradar à maioria moderada, mais próxima do eleitor tipo do PSOE, sem dececionar as bases.
 
Assim, o partido de Pablo Iglesias, num documento que se autodenomina “realista”, deixa de lado medidas mais radicais e reflexões mais polémicas, mas procura recuperar o espírito da fundação, com uma série de medidas dedicadas ao “resgate cidadão”.
 
 Em 69 páginas, o partido apresenta 215 medidas. Se, por um lado, “esquece” a renda básica universal, por outro, promete “aproximar as rendas mínimas de inserção, de forma gradual e conforme as possibilidades, ao Salário Mínimo Interprofissional anual”. Ainda no quadro de medidas do “resgate cidadão”, o programa aprofunda ainda as fórmulas que permitem às famílias e pequenos e médios empresários fazerem frente às dívidas
 
Durante a apresentação, Pablo Iglesias considerou tratar-se de “um programa de mudança”, que parte do princípio de que, até agora, as coisas “não se têm feito bem”. Questionado se era um programa que procurava agradar a gregos e a troianos, Pablo Iglesias foi perentório: “Não. O nosso programa vai agradar muito a quem tem de se levantar às seis da manhã para apanhar o Metro. (…) Vai haver outros a quem vai desagradar. Não vai agradar a rodrigo Rato, ao seu amigo Montoro e ao seu amigo De Guindos”.
 
O programa estava a ser coordenado por Juan Carlos Monedero, até à sua demissão. O “El País” sublinha que o documento fica um pouco à margem do cenário macroeconómico: não há referências ao euro, ao défice ou a Bruxelas, uma característica que se pode ficar a dever à natureza mais regional das eleições que se aproximam.
 
A “medida estrela” do programa é a chamada Lei 25 de Emergência Social, que inclui o compromisso de “travar os despejos que afetem os devedores de boa-fé, que não tenham podido fazer frente aos seus encargos por se encontrarem numa situação de dificuldade económica". Ou seja, o Podemos quer por fim às execuções hipotecárias de cidadãos que tenham deixado de pagar o crédito da casa de primeira habitação por questões relacionadas, por exemplo, com o desemprego.
 
O Podemos quer ainda “garantir serviços básicos”, como água, luz e eletricidade a todas as famílias.

O programa prevê ainda medidas de inflexibilidade contra a corrupção. O Podemos quer, por exemplo criar um ficheiro de pessoas e empresas condenadas por corrução e criar uma Oficina Anticorrupción em cada um dos parlamentos autonómicos. O partido prevê, por exemplo, que todos os detentores de cargos públicos sejam obrigados a fazer anualmente uma declaração de bens e a realizar uma declaração de gastos mensais para que justifiquem cada euro de dinheiro público usado.