Hana Berner Moran nasceu num campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. A mãe, Priska, foi enviada para Auschwitz em 1944 e consigo levava o segredo de uma gravidez.
 
Deu à luz em condições desumanas. No campo, pertencente uma fábrica em Freiberg, na Saxónia, era forçada a construir peças de aeronaves militares para os nazis.
 
Quando nasceu Hana pesava menos de quilo e meio. Frágil como a mãe, transformada em esqueleto devido à fome e à escravidão diária – uma mãe que passara pelo impossível para que ela vivesse. Hana falou à TVI.
 
“Ela (a minha mãe) entendia o que significava a vida: viver. Isso era tudo o que lhe interessava, todos os dias. E foi isso que ela me ensinou"
 
Tibor, marido de Priska e pai de Hana, morreu de fome em 1945, depois de sair de Auschwitz rumo a outro campo de concentração. Tinha 29 anos.
 
Mas mãe e filha viriam a sobreviver à guerra e acabaram por regressar a casa, a antiga Checoslováquia. Priska tornou-se professora de línguas e dedicou-se à filha. Não voltaria a casar por acreditar que nunca encontraria alguém como Tibor. Faleceu em 2006, durante o sono, pouco tempo após completar 90 anos de idade.
 
Conseguiu ver a filha crescer e sair do país para Israel, depois da “Primavera de Praga” em 1968, aquando da invasão de meio milhão de soldados soviéticos. Mais tarde, Hana mudou-se para os Estados Unidos, onde reside atualmente.
 
A história de ambas é contada em “Os bebés de Auschwitz” da jornalista e escritora britânica, Wendy Holden. Um livro que reúne os episódios de sobrevivência de outras duas mulheres, Rachel e Anka, que também conseguiram esconder a gravidez nos campos de concentração.
 
“As suas histórias são tão relevantes e importantes agora que, enquanto forem capazes de contá-las, é nossa obrigação moral ouvi-las"
 
Mais de 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, Hana olha com preocupação para a violência no mundo e acredita que a humanidade ainda não tirou lições do passado.
 
“Acredito realmente que não aprendemos a lição. Basta olhar para tudo o que está acontecer à nossa volta, em todo o lado. Ódio, anti-imigrantes, anti-judeus, anti-muçulmanos...”
 
A própria deixou um apelo à tolerância aos mais de 800 alunos presentes no Cinema São Jorge, em Lisboa, que tinham ido assistir a uma mostra de um filme francês. A película era sobre uns estudantes de um liceu nos arredores de Paris, que preparam um trabalho acerca do Holocausto.
 
Os jovens receberam a visita-surpresa de Hana com uma enorme ovação e ouviram, atentamente, as palavras daquela que pertence à última geração de sobreviventes da Segunda Guerra Mundial.