Já se sabia que os cães foram as primeiras espécies domesticadas, mas faltava ter a noção a partir de quando, exatamente, e onde. A Academia Nacional de Ciências dos EUA (PNAS) dedicou-se a estudar os genes e revelou agora que foi há 15.000 anos que tudo começou, na Ásia Central.

Caso para ficar de olhos em bico? A verdade é que há raças de cães com os olhos assim, originários sobretudo do Japão. Mas para o caso, o que interessa é que o primeiro cão apareceu efetivamente no continente asiático, mas perto do Nepal e da Mongólia, segundo o estudo da PNAS. Foi aí que a espécie, que surgiu dos lobos cinzentos euro-asiáticos, começou a ser domesticada e foi evoluindo.

As alterações genéticas acabaram por resultar em cães mais mansos do que os lobos e mais pequenos, características gradualmente menos compatíveis com um estilo de vida de caça. O que também ajuda a perceber que fossem depois tidos como os melhores amigos do homem: pelo companheirismo que essa atividade alimentou, por um lado, e pelas mudanças que a espécie conheceu, tornando-os mais dóceis, por outro.

Basicamente existem dois grupos dentro da espécie canina: cerca de 400 raças puras e um grupo de animais que o senso comum designa por “rafeiros” e que são em muito maior número. Por isso mesmo, foram um grupo vital a ter em conta para descobrir o mistério da origem da espécie.

O estudo, levado a cabo por Adam Boyko, da Universidade de Cornell, e a sua equipa, englobou 4.676 cães de raças reconhecidas, bem como 549 cães de rua de 38 países. Encontrou-se grande diversidade genética mas, ao mesmo tempo, uma padronização na domesticação dos animais oriunda da Ásia Central. Até porque muitos começaram por ser apoios na atividade de caça.

"Parece que há uma única origem, embora haja claramente situações onde houve um pouco de fluxo genético entre lobos e cães pós-domesticação", explicou à BBC o investigador.

As descobertas científicas não têm sido muito claras até aqui, mas partindo agora de uma localização mais específica da origem da espécie, abrem-se novas possibilidades. E uma delas é, precisamente, a análise do código genético dos restos mortais de cães encontrados em locais com potencial de estudo arqueológico.

A partir daí será possível apoiar ou refutar as teorias que existem sobre o papel da Ásia Central e outras regiões na domesticação do melhor amigo do homem.