Dez funcionários da empresa francesa de telecomunicações Orange cometeram suicídio desde o início do ano, quase tantos quanto os registados ao longo de todo o ano de 2013, revelou hoje uma organização que controla condições laborais.

De acordo com o Observatório para o Stress e Mobilidade Forçada, a situação deve ser encarada como um «alerta sério», uma vez que a maioria destes suicídios estavam «explicitamente relacionados com o trabalho».

Orange é o novo nome da France Telecom, uma grande empresa de telecomunicações que foi atingida por uma onda de suicídios, que foi particularmente intensa entre 2008 e 2009, quando 35 trabalhadores puseram fim à vida.

Estes acontecimentos levaram à saída do então presidente da empresa, Didier Lombard, e levantaram dúvidas e discussões sobre gestão e stress no trabalho.

O grupo Orange, que emprega cerca de 100 mil pessoas, reconheceu hoje que várias pessoas cometeram suicídio desde o início do ano e que cada um dos casos «envolve contextos diferentes», mas devem obrigar a empresa a «permanecer vigilante», de acordo com as declarações citadas pela agência noticiosa AFP.

O representante da empresa deverá encontrar-se com a comissão de trabalhadores na sexta-feira para discutir a questão, depois de os sindicatos terem lançado o alerta sobre a situação no grupo de telecomunicações.

«Em cerca de um ano a situação deteriorou-se», declararam, sublinhando ainda as saídas de trabalhadores e o recrutamento inadequado, refere a AFP.