O alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados instou hoje a União Europeia a reforçar as operações de busca e salvamento de imigrantes e refugiados que atravessam o Mediterrâneo diariamente, tentando chegar à Europa.

Depois de na quarta-feira o Mediterrâneo ter sido palco de nova tragédia, com a morte de 300 dos 400 imigrantes que haviam partido da Líbia em quatro botes pneumáticos, António Guterres, constata, em comunicado, que «não restam dúvidas» de que «a Operação Tritão é totalmente inadequada» para lidar com este flagelo humano.

A Operação Tritão – que entrou em vigor no dia 1 de novembro de 2014 e é gerida pela Frontex, agência da União Europeia para a gestão das fronteiras exteriores – sucedeu à Operação Mare Nostrum, que Itália adotou depois dos naufrágios que, em 2013, vitimaram cinco centenas de imigrantes no Mediterrâneo.

Na opinião de Guterres, a Operação Tritão, com um mandato mais reduzido e menos recursos, «não é um bom substituto» da Operação Mare Nostrum, mais focada na busca e no salvamento e que conseguiu resgatar 150 mil pessoas ao longo de um ano.

«O objetivo deve ser salvar vidas. Precisamos de uma operação de busca e salvamento robusta» e «não apenas de controlo de fronteiras», defende António Guterres, antigo primeiro-ministro português.

As tentativas de imigrantes e refugiados para chegarem, à Europa, cruzando o Mediterrâneo, aumentaram em 2014, quando milhares de cidadãos da Síria e das regiões do Corno de África e da África subsariana tentaram chegar à Europa a bordo de embarcações precárias e inseguras, pelas quais pagam somas avultadas.

«Se não se estabelecer uma operação como a Mare Nostrum, é inevitável que mais gente venha a morrer tentando chegar à Europa», antecipa Guterres.

Em 2014, 218 mil imigrantes e refugiados conseguiram chegar às costas europeias, mas pelos menos 3.500 morreram a tentar.