O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, exigiu esta terça-feira "o fim dos combates" na Síria, na abertura da sessão anual da Assembleia-geral da ONU.

"Apelo a todos com influência que consigam o fim dos combates e o início de negociações" para uma transição política, defendeu, quando chegou ao fim uma trégua no terreno.

Ban Ki-moon acusou o regime sírio de cometer os piores assassínios e declarou que o futuro do país não pode depender do destino do presidente Bashar al-Assad.

"Muitos grupos mataram civis inocentes, mas nenhum matou tanto quanto o governo sírio que continua a utilizar barris de explosivos contra zonas residenciais e a torturar sistematicamente prisioneiros” afirmou.

Ban Ki-moon criticou os múltiplos protagonistas que “alimentam a máquina de guerra”, sublinhando a presença na sala da Assembleia de governos que “facilitaram, financiaram ou participaram nas atrocidades cometidas por todas as partes em conflito”.

O conflito na Síria é “o que faz mais mortos e semeia mais instabilidade”, disse.

O diplomata sul-coreano denunciou o ataque na segunda-feira contra um comboio humanitário da ONU e do Crescente Vermelho na região de Alepo (norte).

“Trata-se de um ataque repugnante, selvagem e aparentemente deliberado”, que forçou as Nações Unidas a suspender as suas operações humanitárias”, acrescentou, qualificando os trabalhadores humanitários na Síria “de heróis” e os seus agressores “de cobardes que responderão pelos seus crimes”.

Cerca de 20 civis e um membro da equipa do Crescente Vermelho Árabe Sírio [organização federada com a Cruz Vermelha] foram mortos no ataque, que destruiu uma grande parte da ajuda, indicou a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV/CV), em comunicado.

A guerra na Síria, que começou em 2011, fez 300 mil mortos e milhões de refugiados, deverá dominar os trabalhos da 71.ª sessão da Assembleia-geral da ONU.

Os Estados Unidos e a Rússia presidiam esta terça-feira, em Nova Iorque, a uma reunião internacional crucial sobre a Síria para tentar salvar o processo diplomático.

O grupo internacional de apoio à Síria, composto por 23 países e organizações internacionais, vai tentar recuperar a trégua decidida a 9 de setembro por Washington e Moscovo.