O poeta cabo-verdiano Corsino Fortes morreu esta sexta-feira na Cidade do Mindelo, dois dias após lançar o último livro "Sinos de Silêncio - Canções e Haikais", disse à agência Lusa a vice-presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, Vera Duarte.

Corsino Fortes, que era presidente da ACL e considerado um dos maiores poetas cabo-verdianos, esteve recentemente em Portugal em tratamento, mas tinha regressado à sua cidade-natal, o Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente.

Na quarta-feira foi apresentada na Cidade da Praia a última obra do poeta, "Sinos de Silêncio - Canções e Haikais", que não esteve presente na cerimónia.

A 6 deste mês, Corsino Fortes foi galardoado com o Grande Prémio Literário Vida e Obra atribuído pela Academia Cabo-Verdiana de Letras (ACL) para assinalar o 40.º aniversário da independência de Cabo Verde, mas o autor também não participou na cerimónia.

Corsino Fortes, 82 anos, natural do Mindelo (ilha de São Vicente), onde nasceu a 14 de fevereiro de 1933, foi o primeiro embaixador de Cabo Verde em Portugal, para onde seguiu logo após a independência, em 1975, tendo igualmente desempenhado cargos ministeriais em vários governos da primeira República (1975/91).

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa (1966), presidiu à Associação dos Escritores de Cabo Verde (2003-2006) e é autor de algumas das mais significativas obras da literatura cabo-verdiana, destacando-se "Pão e Fonema" (1974) e "Árvore e Tambor" (1986) e "Pedras de Sol & Substância" (2001), livros de poesia reunidos na trilogia "A Cabeça Calva de Deus", também de 2001.

Corsino Fortes está igualmente presente em inúmeras coletâneas poéticas em Língua Portuguesa.

Foi também combatente pela liberdade da pátria e empresário, escreve a Lusa.