A Cimeira que debateu a segurança dos arsenais nucleares contra a ameaça do terrorismo chegou ao fim e saldou-se num sucesso. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos e anfitrião da reunião que juntou 47 chefes de Estado em Washington, não escondia o rosto de satisfação enquanto caminhava para o púlpito para fazer o discurso de encerramento, esta terça-feira.



«Esta noite posso dizer que agarrámos esta oportunidade e, pelos passos que demos, enquanto nações individualmente e como comunidade internacional, o povo norte-americano e o mundo estarão mais seguros», reproduz a Associated Press.

«Todos concordam que o terrorismo nuclear é um dos maiores perigos para a segurança internacional», um perigo para a Humanidade. Obama vai ao ponto de explicar que uma porção de plutónio do tamanho de uma maçã nas mãos de uma organização terrorista pode matar e ferir dezenas de milhares de pessoas, num instante, em qualquer parte do mundo. As consequências do lançamento das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki vão longe, mas não estão esquecidas. Estávamos na II Guerra Mundial. Agora, as ameaças modernas são o Irão e a Al Qaeda no topo da lista.



A união faz a força e, assim, Obama considera que o sucesso da cimeira «foi possível porque os líderes vieram não só para falar, mas para agir. Não apenas para falarem de intenções, mas para dar passos importantes e concretos na implementação de regras».

A cimeira fica para a história com os entendimentos alcançados com a Rússia e a China. O presidente Obama felicitou-se pela tomada de posição do presidente russo, Dimitri Medvedev. «A Rússia anunciou que ia encerrar o reactor de produção de plutónio. Após anos de conversações, estou muito contente que os Estados Unidos e a Rússia tenham acordado eliminar 68 toneladas de plutónio que seriam suficientes para construir 17 mil armas nucleares».

Por seu lado, a China mostrou abertura para discutir «novas ideias» sobre o Irão sem, no entanto, falar na aplicação de sanções. A mesma linha seguiu o Medvedev: «Não sou a favor de sanções porque sanções significam repressão».

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também quis deixar o seu contributo e propôs um alargamento das competências do Tribunal penal Internacional às questões nucleares.

Nos antípodas, Paquistão e Israel. Se o presidente norte-americano se mostrou satisfeito com os esforços que o Paquistão está a fazer para controlo do seu arsenal nuclear, Israel nem sequer marcou presença na cimeira.

Na prática, o programa aprovado tem duas fases: uma acção que é feita por cada país a respeito do seu material e uma acção concertada a nível internacional através da Agência Internacional da Energia Atómica.

Com metas muito ambiciosas, a ver vamos o que vai ser alcançado quando o balanço for feito na Coreia do Sul, em 2012.