O prémio Nobel da Literatura 2017 foi atribuído a Kazuo Ishiguro, escritor nipo-britânico de 62 anos, nascido em Nagasaki, que se mudou com a sua família para o Reino Unido, quando tinha cinco anos. Os temas das suas obras têm muito que ver com a memória, o tempo e a auto ilusão.

A Academia Sueca justificou a escolha de Kazuo Ishiguro, por ser um escritor que, "em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob o sentido ilusório de conexão com o mundo".

A secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, descreveu o galardoado como um autor que é uma mistura entre Jane Austen e Franz Kafka, com um pouco de Marcel Proust.

Se misturar Jane Austen e Franz Kafka, então consegue-se Kazuo Ishiguro, na essência, mas tem de se acrescentar um pouco de Marcel Proust, para depois mexer – não muito. Ao mesmo tempo, é um escritor de grande integridade. Desenvolveu um universo estético próprio".

As obras

O romance de maior renome de Kazuo Ishiguro é The Remains of the Day (1989) (Os Despojos do Dia). Venceu o Booker Prize, em 1989. Foi, inclusive, adaptado para filme, com Anthony Hopkins a interpretar o mordomo Stevens.

Mas foi com os seus primeiros contos, publicados na revista Granta, que começou por se destacar. 

Com o trabalho distópico Never Let Me Go (2005), Ishiguro introduziu a ficção científica no seu trabalho.

O seu último romance, The Buried Giant (2015), explora como a memória se relaciona com o esquecimento, como a história se relaciona com o presente e a fantasia com a realidade.

Kazuo Ishiguro escreveu oito livros, bem como programas para cinema e televisão. É, ainda, autor de canções. 

A reação do próprio

Na reação ao prémio, o escritor disse esperar contribuir para uma atmosfera mais positiva ,numa altura em que o mundo atravessa tempos turbulentos.

É uma honra magnífica, principalmente porque significa que sigo nas pegadas dos maiores autores que alguma vez viveram”

À BBC, Ishiguro ressalvou que o comité do prémio Nobel não o contactou e, como tal, começou por pensar que se tratava de uma brincadeira.

O escritor disse ter a esperança de que o Nobel seja uma força do bem: “O mundo está num momento muito incerto e esperaria que todos os prémios Nobel fossem uma força em prol de algo positivo no mundo”.

Livro favorito?

Questionada sobre qual o seu livro favorito do autor britânico de origem japonesa, a secretária permanente da Academia Sueca disse encarar todos os seus livros como “maravilhosos, verdadeiramente requintados”, embora destaque O gigante enterrado (Gradiva, 2015).

Ele é alguém muito interessado em compreender o passado, mas não é um escritor Proustiano. Não está à procura de redimir o passado. Está a explorar o que tens de esquecer para sobreviver, em primeiro lugar, enquanto indivíduo ou enquanto sociedade”.

Sara Danius realçou que não compete à Academia julgar se um premiado é controverso ou não, e declarou esperar que este anúncio “faça o mundo feliz”.

O português António Lobo Antunes era um dos potenciais vencedores mas, mais uma vez, não aconteceu. Vai lançar um novo romance no dia 17 de outubro, com o título Até Que as Pedras se Tornem mais Leves que a Água.

Veja que outros prémios Nobel já foram atribuídos este ano: