No silêncio da noite desta segunda-feira, o grupo Boko Haram, originário da Nigéria, atacou uma prisão no Níger.
 
O ataque, levado a cabo com artilharia pesada - e o quarto naquele país nos últimos dias -, segundo a Reuters, funcionou como uma espécie de aviso ao país vizinho, já que estas ações surgem nas vésperas do Níger votar se vai ou não integrar a força regional para combate ao Boko Haram.
 
De acordo com as autoridades, há uma centena de suspeitos de pertencerem ao Boko Haram detidos no Níger, mas nenhum estava na prisão de Diffa, atacada esta segunda-feira.
 
Também é desconhecido o número de mortos de um lado e do outro. A população foi aconselhada a não sair de casa.
 
O Boko Haram, grupo extremista islâmico, já matou milhares de pessoas nos últimos anos e sequestrou centenas. Crítico do sistema educacional ocidental, raptou centenas de raparigas do dormitório de uma escola. O paradeiro de 200 delas continua desconhecido, tal como foi esse o grupo responsável pelo ataque a um centro comercial em Nairobi. Apenas exemplos.
 
Capazes de atos de extrema violência, já espalharam o terror para lá das fronteiras da Nigéria, que, para além de receber muitos dos refugiados nigerianos, esses países também já sofrem ataques do grupo. É o caso do Chade, que na semana passada atacou, por sua vez, posições do Boko Haram, integrado numa missão de vários países que partilham a fronteira com a Nigéria, de modo a fazer recuar e deter os rebeldes.
 
Igualmente na semana passada, o candidato presidencial nigeriano, Goodluck Jonathan, que procura a reeleição, por um triz não foi vítima de uma bomba após um comício. Um carro explodiu à sua passagem e a autoria, presume-se, pertence ao Boko Haram.
 
As eleições estavam, no entanto, marcadas para daqui a uma semana, mas, os atrasos nos cadernos eleitorais, levaram a que o ato eleitoral tenha sido adiado para 28 de março. Tempo para, segundo o Conselheiro de Segurança Nacional, Sambo Dasuki, resolver as entregas dos cartões eleitorais aos milhões de nigerianos e para cumprir uma promessa: a Nigéria quer, no período de seis semanas, desmantelar o Boko Haram.
 

«Todos os campos do Boko Haram estarão desmantelados» quando decorrerem as eleições. «Eles não estarão cá», disse à France Presse, o homem que também não acredita nos esforços da força regional.