Contestação política, distúrbios e assaltos a lojas, os últimos dias na capital venezuelana já causaram, pelo menos, doze mortos até esta sexta-feira.

O Ministério Público venezuelano nomeou três investigadores para apurar o que causou a morte de onze pessoas, oito das quais devido a uma descarga elétrica de um cabo de alta tensão, quando tentavam roubar uma padaria, segundo refere a agência de notícias espanhola Europapress.

Investigar a morte de onze pessoas e os ferimentos causados em outras seis, durante os casos de violência ocorrido entre quinta-feira, 20, e sexta-feira, 21 de abril, na freguesia de El Valle, munícipio de Libertador do distrito da capital", refere o comunicado do Ministério Público venezuelano.

Um jovem de 17 anos está entre as vítimas da eletrocussão. Pelo menos duas das onze vítimas referenciadas terão morrido baleadas. Um dos casos terá sido um comerciante que tentou defender a sua loja do saque, segundo relata o jornal venezuelano El Nacional.

Em separado, o Ministério Público ordenou também uma investigação à morte da decimal segunda vítima, Melvin Guaitan, caso que está aser usado como bandeira pela oposição política oa president Nicólas Maduro.

"Um humilde trabalhador"

A décima segunda vítima contabilizada nos dias de contestação que se vivem foi registada pelo autarca de Sucre, um oposicionista ao regime de Maduro. Carlos Ocariz preside a El Valle, cidade nos arredores de Caracas e parte integrante da área metropolitana da capital venezuelana, onde residem mais de dois milhões de pessoas.

Com muita dor, informo a morte de Melvin Guaitan que foi baleado, um humilde trabalhador do bairro de Sucre", escreveu o autarca Carlos Ocariz, um oposicionista do presidente Maduro, na sua conta de Twitter.

O autarca refere que Guaitan, "foi assassinado à entrada do bairro 5 de julho durante os protestos da noite" de quinta-feira.

Carlos Ocariz clama agora que "se investigue e condene os culpados" pela morte. De parte a parte, apoiantes e opositores do presidente Nicólas Maduro acusam-se mutuamente da responsabilidade pelos tumultos, confrontações e saques de lojas na ruas da Caracas.

A Mesa de Unidade Democrática (MUD), principal força opositora de Maduro insiste na convocatória urgente de eleições na Venezuela.

Para sábado, a oposição do MUD convocou uma "marcha do silêncio" em todo os estados do país para homenagear os mortos nos confrontos dos últimos dias e exigir eleições.

Do lado do presidente venezuelano, os apoiantes e as forças armadas e policias mantêm a resistência nas ruas.

Nicólas Maduro queixa-se de estar a ser alvo de uma tentativa de golpe de Estado, levado a cabo por forças da oposição e instigado por apoios externos.