O Presidente venezuelano disse que não vai apoiar “nenhuma” lei de amnistia para presos políticos proposta pelo novo parlamento, onde a oposição passará a ter maioria na sequência das eleições de domingo.

“Digo-o enquanto chefe de Estado, não aceitarei nenhuma lei de amnistia porque foram violados direitos humanos (…), podem enviar-me mil leis, mas os assassinos de um povo têm de ser julgados e têm de pagar”, disse Nicolas Maduro, durante o seu programa de rádio e televisão "Em contacto com Maduro".

Com esta declaração, Maduro reagiu ao já anunciado pela oposição venezuelana, que indicou que uma das primeiras ações do novo parlamento, a partir de 05 de janeiro, será pedir uma lei de amnistia para os “presos políticos”.

A oposição venezuelana garantiu 112 lugares no novo parlamento, garantindo à justa uma maioria qualificada de dois terços, e com o partido no poder PSUV a eleger 55 deputados, anunciou oficialmente o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na terça-feira. 

A CNR acrescentou que a Mesa da Unidade Democrática (MUD) obteve 65,27% dos votos expressos, com o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, no poder), a garantir 32,93%.

Uma maioria de dois terços vai designadamente permitir à oposição convocar um referendo, declarar uma assembleia constituinte ou ainda destituir magistrados do Supremo Tribunal de Justiça.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu, entretanto, aos seus ministros para se demitirem, com o objetivo de fazer uma “reestruturação” do Governo após a vitória da oposição nas eleições parlamentares de domingo.

"Eu pedi ao Conselho de Ministros para apresentar a demissão, para efetuar um processo de restruturação, de renovação e de profundo relançamento de todo o Governo nacional", disse Maduro durante o seu programa semanal de rádio e televisão.


“Isto é o que eu quero: um programa para a nova etapa da revolução, com uma revisão profunda – um começo, caramba!”, disse o chefe de Estado venezuelano.