O Presidente da França François Hollande anunciou, esta sexta-feira, em Nice, que cerca de “cinquenta” pessoas estão entre a vida e a morte na sequência do atentado da noite de quinta-feira que provocou 84 mortos, incluindo “muitos estrangeiros".

“Há cerca de 50 pessoas que ainda permanecem em urgência absoluta, quer dizer entre a vida e a morte. Entre estas vítimas, há franceses, e há também muitos estrangeiros vindos de todos os continentes e há muitas crianças, crianças jovens”, declarou o chefe de Estado, citado pela AFP.

Um camião atingiu na quinta-feira à noite uma multidão em Nice, na Promenade des Anglais, quando decorria um fogo de artifício para celebrar o 14 de julho, Dia de França.

Depois de ter visitado no hospital alguns dos feridos no atentado, François Hollande apelou esta sexta-feira à “unidade” e à “coesão” nacional. O chefe de Estado avisou que não pretende vergar-se aos “exageros” e aos “excessos”, na sequência das declarações de uma parte da oposição que esta sexta-feira criticou de forma severa o Executivo.

“É o meu trabalho, é minha responsabilidade não me deixar afastar do compromisso que assumi em nome dos franceses para os proteger, de não me rebaixar a nenhum tipo de exagero, excessivo quando é para responder, e responder apenas aos desafios que nos são lançados, utilizando todos os meios necessários ", disse François Hollande, citado pelo jornal francês Le Figaro

"O empenho e o compromisso é uma das lições que devemos retirar do ataque, mais uma depois de várias outras nos últimos cinco anos”, acrescentou.

Hollande agradeceu os serviços prestados pelos bombeiros, médicos e grupos que se mobilizaram para ajudar. 

O Presidente francês falava a partir de Nice, juntamente com a ministra dos Assuntos Sociais Marisol Touraine e do primeiro-ministro Manuel Valls.

"Havia muitas crianças, crianças de tenra idade que tinham vindo para assistir a um fogo de artifício em família, para ter alegria, para partilhar brilho e felicidade", afirmou ainda Hollande em tom sério e de rosto fechado.

"Eles foram mortos para satisfazer a crueldade de um indivíduo e, talvez, de um grupo."

O presidente não excluiu a possível ação de cúmplices do autor do atentado.

"Estamos a enfrentar uma batalha que será longa. Temos um inimigo que vai continuar a agir", referiu. "Eles são o mal, e podemos superá-lo", garantiu.

François Hollande esteve esta sexta-feira à cabeceira de algumas vítimas do ataque depois presidir a uma reunião no Centro de Operações Departamental (COD), indicou o Eliseu. O chefe de Estado chegou pouco antes das 14:00 (13:00 em Lisboa) ao Hospital Pasteur, em Nice, onde visitou quatro vítimas do atentado, mais ou menos gravemente feridas, incluindo um casal de vinte anos, de acordo com a mesma fonte.

O Presidente francês encontrou-se também com autoridades de segurança locais para debater a situação após o ataque da noite de quinta-feira.