Um jovem ator sírio desafiou o presidente Bashar al-Assad a aumentar o apoio aos refugiados em acampamentos improvisados, numa altura em que o país está a passar por uma das piores tempestades de neve das últimas décadas.
 
No «Snow Bucket Challenge» publicado online, Ehab Tousef cobre-se de neve e desafia o presidente a sentir o frio exterior por dois minutos com os seus filhos, ou a passar a noite num acampamento.
 

Assad «precisa de sair do seu esconderijo e mostrar apoio às pessoas que estão a morrer em campos de refugiados», afirmou o ator, apelando a que o líder da Síria pense nos que passam frio «enquanto ele está quente».

 
A campanha imita o desafio do «banho público» de água gelada a favor da ALS - Associação para a Esclerose Amiotrófica, e pede apoio e doações que reverterão a favor daqueles que sofrem este desafio meteorológico na Síria.
 


 

«Peço a todas as pessoas ao redor do mundo que doem o que puderem – dinheiro, medicamentos, cobertores – para ajudar os refugiados desesperados nos campos», afirmou.

Milhões de pessoas deslocadas pela guerra enfrentam ventos gelados, chuva, neve e temperaturas muito baixas na Síria, Líbano, Jordânia e Turquia – os quatro países que registam o maior número de refugiados sírios.
 
A Al-Jazeera sublinha que apenas na semana passada terão morrido pelo menos sete pessoas, vítimas do clima frio e da falta de tratamento médico e aquecimento.
 
Duas crianças gémeas e um homem de idade avançada morreram em Aleppo, uma criança nos subúrbios de Damascus, uma criança e um idoso em Deir Ezzor, e uma outra criança em Darra.

Em Damascus, trinta casos críticos foram registados a partir das respostas de veículos de emergência médica, avançou à Al-Jazeera Leen Kilarji, responsável pela gestão de informações para o Crescente Vermelho Árabe Sírio.

Kilarji afirmou também que a unidade de gestão de desastres resgatou 33 sem-abrigo durante a tempestade, e que lhes ofereceu alojamento temporário.
 

«A parte triste é que finalmente tivemos alguns dias pacíficos, sem bombardeamentos ou ataques, e então chega a tempestade. Estamos a oferecer abrigo, mas mesmo assim é muito frio. E as pessoas que estão nos acampamentos?», questionou.

 
No vizinho Líbano, pelo menos quatros refugiados sírios morreram na semana passada devido à falta de aquecimento e proteção contra o frio congelante.
 
Milhares de refugiados foram deixados no Vale de Bekka com muitos poucos mantimentos alimentares e sem aquecimentos, e encontram-se bloqueados por estradas interditas pela tempestade, que dificultam o acesso das associações que prestam apoio.
 

«Estamos a morrer lentamente aqui, ninguém nos vem ajudar e nós não temos nada», contou à Al-Jazeera Umm Abdo, uma refugiada síria na cidade de Arsal, que acrescentou estar preocupada com as crianças que vivem consigo, que podem sofrer de hipotermia.

 

«Nós não temos comida, não temos pão, não temos óleo para nos aquecer, e não temos sabemos o que fazer», afirmou com lágrimas nos olhos. «Fomos esquecidos e vamos morrer ao frio».

 
Apenas no Líbano, onde de acordo com a UNHCR foram acolhidos mais de um milhão de refugiados sírios, pelo menos cem abrigos e tendas foram destruídas pelas tempestades.