O secretário-geral da NATO voltou hoje a desvalorizar os desentendimentos entre os Aliados, preferindo destacar o consenso sobre a necessidade de aumentar o investimento em Defesa.

Acabámos uma reunião substancial da NATO. Tivemos discussões, temos desacordos, mas, mais importante, tomámos decisões que vão tornar-nos mais fortes. Na história da NATO, tivemos muitos desentendimentos que conseguimos superar, porque, no final do dia, concordamos que a Europa e a América do Norte são mais fortes juntas”, começou por dizer Jens Stoltenberg.

Na conferência de imprensa que se seguiu à conclusão da reunião do Conselho do Atlântico Norte dos chefes de Estado e de Governo da NATO, o secretário-geral da organização revelou que os Aliados concordaram que é preciso dedicar mais dinheiro à Defesa, e aumentar as contribuições para missões da Aliança no terreno.

As boas noticiais é que estamos a fazer progressos. Todos os aliados estão a aumentar o investimento em defesa. No último ano, registou-se o maior investimento em Defesa desde o fim da ‘Guerra Fria’”, acentuou, desvalorizando as declarações do Presidente norte-americano.

Donald Trump tem acusado os outros Aliados de “não pagarem aquilo que deveriam” e de “deverem uma tremenda quantia de dinheiro aos Estados Unidos”, por não consagrarem 2% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa, um compromisso assumido na cimeira do País de Gales em 2014 para um prazo de dez anos.

“Quando foi alcançado o acordo em 2014, apenas três aliados gastavam 2% em Defesa”, recordou.

Indicando que os Aliados aprovaram a adaptação da estrutura de comandos da NATO, a estratégia da luta contra o terrorismo e as ameaças cibernéticas, assim como a iniciativa de prontidão, que visa reduzir de 180 para 30 dias o tempo de resposta das forças norte-americanas consideradas indispensáveis em caso de guerra, o político norueguês informou ainda que a Rússia foi um dos outros temas abordados.

Todos os Aliados defendem claramente que não reconhecemos e não iremos reconhecer a anexação ilegal da Crimeia. Essa é a posição comum. A anexação ilegal da Crimeia é uma das principais razões pelas quais aumentámos a nossa presença nos Balcãs e os nossos gastos em Defesa”, frisou.

António Costa representa Portugal na cimeira de chefes de Estado e de Governo da NATO que decorre entre hoje e quinta-feira em Bruxelas, tendo viajado acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes.

Trump quer que Aliados consagrem 4% do PIB à Defesa

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs que os membros da NATO consagrem 4% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa até 2024, ao contrário dos 2% acordados na cimeira de Gales de 2014.

Durante a sessão de hoje da cimeira da NATO, o Presidente sugeriu que os países não só cumpram o compromisso de destinar 2% do seu PIB a gastos com Defesa, mas que o elevem a 4%”, indicou aos jornalistas em Bruxelas a porta-voz da Casa Branca.

Sarah Huckabee Sanders recordou que Donald Trump já tinha feito a mesma proposta na cimeira da NATO do ano passado.

Os chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica comprometeram-se na cimeira do País de Gales de 2014 a canalizar 2% do seu PIB para despesas em Defesa no prazo de uma década, um compromisso que se converteu na principal exigência do Presidente norte-americano aos restantes membros da NATO.

Segundo os dados divulgados na terça-feira pela Aliança Atlântica, apenas quatro países, além dos Estados Unidos – Grécia, Estónia, Reino Unido e Letónia – já atingem a “meta” dos 2%.

De acordo com o mesmo relatório, este ano só oito dos 29 países Aliados cumprirão esse objetivo, prevendo-se que até 2024 o número se eleve a 15.

O primeiro-ministro português António Costa apresentou hoje “um quadro anualizado” que especifica que Portugal vai consagrar 1,66% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa até 2024.

Todavia, de acordo com o primeiro-ministro português, o investimento pode atingir os 1,98% do PIB se o país conseguir obter os fundos comunitários a que se irá candidatar no âmbito do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para o período 2021-2027, nomeadamente através do Horizonte Europa e do Fundo Europeu de Defesa.

De acordo com os dados publicados na terça-feira – para 2017 e 2018 trata-se ainda de estimativas -, Portugal destinou no ano passado 2.398 milhões de euros a despesas em Defesa, o que equivale a 1,24% do seu PIB, devendo este ano aumentar para 2.728 milhões de euros, o equivalente a 1,36% da riqueza nacional.