A Amnistia Internacional (AI) denunciou esta quarta-feira que as forças de segurança de Myanmar mataram centenas de pessoas numa campanha sistemática para expulsar os muçulmanos rohingyas e pediu um embargo de armas ao país.

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a organização não-governamental de defesa dos direitos humanos afirmou que centenas de pessoas foram mortas pelas forças de segurança, que rodearam localidades, atingiram a tiro residentes em fuga e incendiaram edifícios, onde se encontravam idosos, doentes e deficientes que não puderam fugir.

Em algumas localidades, mulheres e meninas foram violadas ou sujeitas a violência sexual, de acordo com o relatório da AI para o qual foram entrevistados mais de 120 rohingyas.

Na terça-feira a Organização das Nações Unidas informou que entre 10.000 a 15.000 refugiados rohingya chegaram nos últimos dias ao Bangladesh, elevando para 582.000 os que fugiram de Myanmar desde finais de agosto. Cerca de 60% dos refugiados rohingyas são crianças, segundo dados da Unicef.

Também na terça-feira, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou que cerca de 300 aldeias do povo rohingya foram incendiadas em Myanmar desde 25 de agosto.

Em comunicado, a HRW diz que uma análise de imagens de satélite permite concluir que pelo menos 66 aldeias foram atacadas após o dia 5 de setembro, ou seja, depois de o exército de Myanmar ter dado como terminada a operação. 

A ofensiva do exército foi iniciada depois de alguns rebeldes rohingya, do chamado Exército Arakan de Salvação Rohingya, terem atacado alguns postos policiais. A operação depressa gerou críticas da comunidade internacional.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem acusou Myanmar de levar a cabo “um exemplo clássico de limpeza étnica”.

O povo rohingya é uma minoria étnica muçulmana e hindu que é considerada pela ONU um dos povos mais perseguidos do mundo. A maior comunidade do mundo está na antiga Birmânia, país predominantemente budista, no estado de Rakhine.