O compositor conhecido como «Beethoven japonês» pediu esta quarta-feira desculpas por fazer acreditar durante 18 anos que era o autor de várias composições, mas manteve que é parcialmente surdo e que só começou a recuperar a audição há três anos.

Na semana passada, Mamoru Samuragochi, de 50 anos, comoveu o país ao revelar, através do seu advogado, não ser ele o autor das suas famosas peças de música clássica.

«Sinto-mo profundamente envergonhado por ter vivido uma vida falsa», afirmou Mamoru Samuragochi.

O «Beethoven japonês» contrapôs, no entanto, que só há cerca de três anos começou a recuperar parcialmente a audição. «Eu posso ouvir as palavras, se você falar alto e lentamente para o ouvido», disse Samuragochi.

«Desta vez, eu não quero dizer mentiras sobre mentiras. Juro pelo céu e a terra que o que eu escrevo hoje é a verdade», acrescentou o falso compositor, que também pediu desculpas ao verdadeiro autor das composições.

Com os seus óculos escuros e longa cabeleira negra, o «Beethoven japonês» tinha conquistado a glória e os corações há cerca de duas décadas, por alegadamente compor apesar da sua surdez.

De acordo com o relato ficcional da sua vida, Samuragochi tornou-se completamente surdo aos 35 anos, mas continuou a compor, incluindo a «Sinfonia N.º1, Hiroshima», em homenagem às vítimas da bomba nuclear que destruiu a cidade japonesa a 06 agosto de 1945.

A notícia provocou uma autêntica revolução no Japão, a distribuidora Nippon Columbia decidiu suspender as vendas e difusão dos seus discos tanto nas lojas como na Internet e todos os concertos previstos de Mamoru Samuragochi foram cancelados.

Segundo a sua biografia oficial, Mamoru Samuragochi é filho de sobreviventes da bomba atómica de Hiroshima.

O seu maior êxito foi conquistado com a «Sinfonia n.º 1 Hiroshima», que em 2011 vendeu 147.000 cópias, um número muito elevado para um disco de música clássica no Japão.

Segundo o advogado, durante 10 anos outra pessoa compôs os trabalhos, baseando-se nas ideias de Mamoru Samuragochi, todas as peças assinadas pelo «Beethoven japonês».

Após a confissão, Takashi Niigaki, um professor de música a tempo parcial, de 43 anos, revelou um comunicado em que assume ter composto os trabalhos para Mamoru Samuragochi durante 18 anos e prometeu mais detalhes do caso para uma conferência de imprensa prevista para esta quarta-feira.