Mikhail Gorbachev, o último líder da União Soviética, afirmou esta quinta-feira que irá defender as políticas do presidente russo, Vladimir Putin, aquando da sua viagem à Alemanha para as cerimónias de celebração do 25º aniversário da queda do muro de Berlim, no próximo domingo.
 
«Nas conversações com personalidades e dirigentes políticos adotarei uma postura firme de defesa da Rússia e, portanto, do seu presidente, Vladimir Putin», afirmou em declarações à agência Interfax.
 
O ex-líder soviético disse estar «plenamente convencido de que Putin defende melhor que ninguém os interesses da Rússia». «Desde logo, na sua política há, segundo dizem, coisas que se podem criticar. Mas não o vou fazer nem quero que o façam outros», acrescentou.

Gorbachev, conhecido pelo processo de reestruturação da «perestroika», que levou à dissolução da URSS, disse que irá atender às comemorações em Berlim para reafirmar a necessidade de nunca se voltarem a erguer muros, «nem de pedra, nem de morais, nem de humanos».

Fundamentos a serem defendidos na reunião com a chanceler alemã Angela Merkel, a ter lugar no dia seguinte às celebrações, 10 de novembro.
 
Alongando-se sobre o conflito na Ucrânia, Gorbachev defendeu que se trata do pretexto que Washington esperava, e afirmou ainda que a Rússia optou por novas relações, e pela criação de novas infraestruturas de cooperação, e que tudo teria corrido bem, não fosse o desagrado norte-americano.


Mikhail Gorbachev, mais prezado na Alemanha que no próprio país, foi laureado com o Nobel da Paz em 1990 pela contribuição que teve para o final da guerra fria e extinção da URSS.