Nove membros do pessoal dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), segundo um novo balanço, morreram na sexta-feira na sequência de um bombardeamento noturno sobre um centro de cuidados de saúde daquela organização em Kunduz, cidade afegã recuperada aos talibãs pelo exército.

A NATO já está a investigar o incidente, admitindo "danos colaterais", uma vez que àquela hora decorriam ataques aéreos das forças norte-americanas.

"Pelas 02:10 locais (23:20 de sexta-feira em Lisboa), o centro de trauma dos MSF em Kunduz foi atingido várias vezes durante um ataque continuado e ficou bastante danificado”, afirmou a organização em comunicado.

Pelo menos 37 pessoas ficaram feridas com gravidade, 19 são elementos dos Médicos Sem Fronteiras, e cerca de 30 estão desaparecidas, segundo a MSF. Encontravam-se naquela unidade 105 pacientes.

Na rede social Twitter, os Médicos Sem Fronteiras dizem que o bombardeamento prosseguiu durante mais 30 minutos depois das autoridades militares afegãs e norte-americanas terem sido informadas da proximidade do hospital. 
 
Além disso, a MSF garante que a localização da unidade de saúde era do conhecimento de todas as forças militares, que foram informadas das coordenadas GPS nos últimos meses, tendo a última sido a 29 de setembro.
 
tomada de Kunduz , na segunda-feira passada, foi a conquista militar mais importante dos talibãs desde que em 2001 foram afastados do poder após a ofensiva liderada pelos Estados Unidos.

O exército afegão recuperou na quinta-feira o controlo da cidade afegã de Kunduz, no norte do país, mas combates entre as forças governamentais e os talibãs continuaram nos últimos dias.