Notícia atualizada dia 2 de outubro, às 15:30

O artista plástico Espiga Pinto, de 74 anos, morreu esta quarta-feira à tarde na cidade do Porto, disse à Lusa o seu filho, que remeteu para quinta-feira informações sobre as exéquias.

Natural de Vila Viçosa, Espiga Pinto ganhou, entre outros galardões, o Prémio da Bienal de São Paulo, no Brasil, em 1973, para cenários do bailado «A Dulcineia», da Fundação Calouste Gulbenkian. O pintou e escultor, foi aliás, bolseiro de pintura da fundação, em 1973 e 1974.

Segundo informação no seu blog, Espiga Pinto realizou mais de 80 exposições individuais e «inúmeras coletivas». A sua primeira exposição data de 1959, na Galeria Pórtico, em Lisboa.

Espiga Pinto realizou trabalhos nas áreas da pintura, desenho, escultura e medalhística, entre outras, e está representado em coleções nacionais e estrangeiras, particulares e públicas, nomeadamente no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu do Desporto e no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa.

O artista plástico tem esculturas de sua autoria no Parque Miraflores, nos arredores da capital portuguesa, comemorativas dos 250 anos do Concelho de Oeiras.

Espiga Pinto foi distinguido, entre outros, com o Prémio de Pintura da Academia de Belas Artes de Lisboa, em 1987, e com o Prémio Coty, dos Estados Unidos, em 2000, pela «Melhor Moeda» (Comemorativa do Planeta Terra).

A lista de distinções do artista é longa e inclui, entre outros prémios, o Prémio Anual de Imprensa, da Casa da Imprensa, em 1970, o da Embaixada de Portugal, em Brasília, em 1973, pela criação de pavimentos, o Prémio de realização de escultura Marconi, em 1992. Em 2005, venceu o concurso europeu para o Troféu do 50.º aniversário das regatas de grandes veleiros em Antuérpia, e, em 2007, o 1.º Prémio pela moeda comemorativa da «Passarola», de Bartolomeu de Gusmão.

Em 2010, a Galeria S. Mamede, em Lisboa, apresentou a exposição retrospetiva «Do meu início (1959-1966)».

O sítio de arte pública da Câmara de Lisboa, na Internet, destaca a utilização de "elementos geométricos", por Espiga Pinto, como uma continuidade, significando Mapas Memoriais, estudos que aprofundam a geometria. «Os seus trabalhos escultóricos, de inclinação figurativa, estão circunscritos a um clima alentejano, que vem da sua infância (...). Faz uma aplicação acertada entre uma figuração dos elementos compósitos e uma gramática inteiramente geométrica».

Em Lisboa, na avenida Álvaro Pais, está patente a escultura em bronze «Mapa da memória inicial» (1992), que venceu o Prémio Marconi.

O artista foi professor de Desenho Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE), em Lisboa, de 1979 a 1987, foi membro da Academia Nacional de Belas Artes e sócio da Federação Internacional da Medalha.

O funeral realiza-se esta sexta-feira em Vila Viçosa, a partir das 15:00, saindo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição para o cemitério local, revelou à agência Lusa o filho do artista.