Morreu esta quarta-feira Thomas Eric Duncan, o primeiro paciente a quem foi detetado o vírus do ébola nos Estados Unidos. Já se sabia que o estado de saúde do homem liberiano se tinha agravado, mas acabou mesmo por falecer hoje, informou o  hospital do Texas onde estava internado, citado pela AFP.

«É com profunda tristeza que informamos da morte de Thomas Eric Duncan esta manhã às 07:51 locais (14:51 em Lisboa)», lê-se num comunicado do porta-voz do centro hospitalar Texas Health Presbyterian, Wendell Watson.

Com 42 anos e natural da Libéria, o homem ficou contagiado precisamente nesse país. Viajou para os EUA e só em território norte-americano é que os sintomas começaram. Antes, chegou a passar pela Europa
O hospital tinha anunciado na segunda-feira que Duncan, então em estado muito grave, estava a ser tratado com um tratamento experimental, brincidofovir, um antiviral administrado por via oral desenvolvido pela Chimerix, uma empresa bio-farmacêutica norte-americana.

Inicialmente, houve uma falha no diagnóstico.  O homem viajou da Libéria para o Texas e   a primeira vez que foi ao hospital mandaram-no para casa, medicado . O que se passou foi que, uns dias após a sua chegada ao país, Duncan estava a sentir-se doente e decidiu ir ao hospital de Dallas. Depois de ser visto por médicos, foi mandado para casa, tendo-lhe sido prescritos medicamentos como se faz para uma doença comum, alegadamente pelo facto de os sintomas que apresentava serem «inclassificáveis». 

Entretanto, dois dias depois, piorou tanto que teve de chamar uma ambulância e foi levado para o hospital. Depois de lhe terem feito análises, descobriu-se que tinha mesmo o vírus que pode ser letal. E que, de facto, o vitimou. 

Entre o vai e vem de e para o hospital, Duncan ficou efetivamente internado desde 28 de setembro e estava em  estado considerado «muito grave» desde sábado passado. Um dia antes, na sexta-feira, as autoridades sanitárias norte-americanas estimaram que dez pessoas apresentavam «um alto risco» de terem sido contaminadas pelo homem que contraiu o vírus Ébola na Libéria e foi identificado tardiamente no país no início da semana.

Toda esta situação causou o pânico em Dallas, no Texas, pois, entre as idas ao hospital, o paciente esteve em contacto com várias pessoas. Entre estas estão «cinco crianças em idade escolar», declarou o governador estadual, Rick Perry. 

O liberiano estava a ser tratado com um tratamento experimental - brincidofovir -, um antiviral administrado por via oral desenvolvido pela Chimerix, uma empresa bio-farmacêutica norte-americana.

O Procurador de Dallas, Craig Watkins,  queria imputar responsabilidade criminal a Thomas Eric Duncan, por considerar que o homem expôs a população norte-americana ao vírus «conscientemente». Acabou por morrer antes mesmo de poder contar a sua versão de como poderá ter ficado infetado.