O embaixador de Portugal em Paris, José Moraes Cabral, apelou esta quarta-feira à serenidade da comunidade portuguesa residente na capital francesa e à sua capacidade de confiar na capacidade da polícia e na eficácia da justiça.

«Há que ter serenidade. Não estou, de forma nenhum, a diminuir ou desqualificar a violência do que aconteceu, mas há que ter confiança nas nossas sociedades democráticas, na capacidade dos serviços das sociedades democráticas, na eficácia da polícia, na eficácia da justiça. Justiça será feita, não tenho absolutamente dúvida nenhuma sobre isso», afirmou Moraes Cabral.


O embaixador sublinhou que «os portugueses em França e os franco-portugueses confiam na sociedade na qual vivem e trabalham».

Moraes Cabral falava aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, onde o corpo diplomático português apresentou cumprimentos de Ano Novo ao Presidente da República, Cavaco Silva.

Para o embaixador em Paris, o ataque ao jornal satírico Charles Hebdo «mostra bem a vulnerabilidade das sociedades democráticas» e que o terrorismo está aí às suas portas.

«A partir do momento em que a França, corajosamente e de uma maneira decidida, passou a participar em operações antiterroristas, quer no Médio Oriente, quer na África Subsariana, que eu creio que os franceses estão disso muito conscientes, isso aumenta as vulnerabilidades e as ameaças que recaem sobre a França», considerou.

Qualificando o ataque de «ato inqualificável, de uma violência extrema», Moraes Cabral sublinhou tratar-se de "um atentado contra pessoas e contra princípios que estão na base das sociedades democráticas".

O embaixador disse estar a acompanhar os acontecimentos "de uma maneira permanente através da embaixada, que tem desenvolvido um trabalho apreciável de contactos, com todos os departamentos franceses, o Ministério do Interior, o Ministério da Justiça, Ministério dos Negócios Estrangeiros, a prefeitura de Paris e também a procuradoria-geral de Paris".

O jornal satírico francês Charlie Hebdo foi hoje alvo de um ataque, em Paris, que causou 12 mortos e 20 feridos.

O semanário ficou conhecido nos últimos anos por publicar caricaturas do profeta Maomé, cuja reprodução é considerada uma blasfémia pelo islão.

O ataque, ainda não reivindicado, foi executado por dois homens armados com uma ?kalashnikov' e um ?lança-rockets', na redação do jornal, e que terão gritado "vingámos o profeta", segundo testemunhas citadas por uma fonte policial.