A Ordem dos Médicos de Moçambique (OrMM) acusou hoje agentes da polícia de terem levado à força dois médicos para um interrogatório de cerca de nove horas, sobre a morte por doença de um familiar de um oficial da polícia.

A OrMM diz, numa "carta de repúdio", que, no dia 13 deste mês, seis agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) levaram um internista e um médico residente dos Serviços de Urgências do Hospital Central de Maputo para a esquadra da unidade hospitalar e para uma outra fora.

Os médicos foram interrogados entre cerca das 15:00 e as 00:00, sobre a morte de um familiar de um oficial da polícia, refere a nota.

Segundo a OrMM, a equipa médica foi alvo de um processo-crime, cujo número se desconhece, e sofreu violência emocional, psicológica e verbal.

Estes atos de violência ocorreram após o óbito de um paciente, familiar de um suposto oficial da PRM, que padecia de co-morbidade, [hipertensão arterial, diabetes militos, insuficiência cardíaca e renal]", acrescenta a nota da OrMM.

Os médicos foram levados pela polícia dez minutos após a ocorrência do óbito.

A OrMM diz que os familiares do doente falecido proferiram ameaças e insultos e forçaram a equipa médica a deixar de assistir os doentes.

A abertura de um inquérito de responsabilidade médica está devidamente plasmada nos Estatutos da Ordem dos Médicos e para que um processo seja instaurado é fundamental que a queixa seja devidamente encaminhada à Ordem dos Médicos", sublinha o comunicado.

A OrMM frisa que a polícia não tem competências técnicas na área médico-biológica para aferir a causa do óbito.

A organização exorta as instituições competentes e ao público em geral para se unirem contra aquele tipo de atuação, para evitar a repetição dos mesmos.

Condutas daquela natureza podem impedir que a população fique impedida de assistência médica adequada, acrescenta o comunicado.