Um tribunal no Missouri, Estados Unidos da América (EUA), decidiu que a farmacêutica Johnson & Johnson terá de pagar à família de Jackie Fox nove milhões de euros como indemnização (dez milhões de dólares) e cerca de 52 milhões de euros como punição (62 milhões de dólares), perfazendo um total de 65 milhões de euros (72 milhões de dólares), quando for provada a relação entre o uso de pó de talco e o cancro do ovário.

A mulher, diagnosticada com cancro há três anos, acusou, na altura, a empresa de usar produtos feitos à base de talco e não alertar os consumidores para a possibilidade de cancro.

Jackie Fox morreu em 2015, com 62 anos. Após a sua morte, o filho passou a ser o queixoso da ação judicial. 

Durante décadas a farmacêutica omitiu esta informação, o que a acusação afirma ser uma estratégia para aumentar vendas. Desde 1997 existia um comunicado interno dos consultores médicos da empresa que abordava os riscos, exemplificando a relação entre fumar cigarros e desenvolver cancro.

 “Negar o óbvio quando há evidências do contrário”, segundo os médicos.

O caso de Jackie Fox integra uma ação civil com 60 queixosos, mas a empresa enfrenta ainda 1.200 ações judiciais pendentes nos EUA pela falta de alerta dos riscos. Podem surgir mais queixas.

“Ficou claro que escondiam qualquer coisa. Só tinham que pôr um rótulo nas embalagens a avisar os riscos”, referiu Krista Smith, a porta-voz do júri.

Antes dos anos 70, o pó de talco era produzido com fibras de amianto, conhecidas pela possibilidade de causar cancro. No entanto, desde essa altura que todos os produtos com pó de talco estão proibidos de conter fibras de amianto.

Cientistas sugerem que algumas partículas do pó podem viajar e alojar-se nos ovários, irritando-os e causando inflamação. Um inflamação de longa duração, ainda que de baixo nível, pode determinar o aparecimento de vários tipos de cancro.

Ainda assim, são poucas as evidências que poderão sustentar esta hipótese. A maioria dos estudos que sugerem uma relação são invocados por pessoas que usam pó de talco há muitos anos, como foi o caso de Jackie Fox que usou durante 35 anos.

O maior estudo realizado até agora não encontrou ligação ao cancro do ovário.