As ameaças da Coreia do Norte também aumentam de tom e os países começam a fartar-se. Desde que a ONU impôs novas sanções ao regime norte-coreano, no último sábado, a tensão nuclear está a conhecer novos contornos e o regime de Kim Jong-un já garante que, dentro de dias, vai estar pronto para disparar quatro mísseis em direção à ilha norte-americana de Guam, no Pacífico.

O exército norte-coreano “está a analisar seriamente o plano” para executar um ataque envolvendo quatro mísseis Hwasong-12, de médio alcance, em direção a Guam para enviar “um forte sinal de advertência aos Estados Unidos”, diz a agência oficial norte-coreana KCNA.

Este plano “vai ser finalizado em meados de agosto e será reportado ao comandante-chefe das forças nucleares da DPRK [sigla em inglês de República Democrática da Coreia, nome oficial do país], aguardando as suas ordens”, afirmou o comandante das Forças Estratégicas norte-coreanas, Kim Rak-Gyom, referindo-se ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

O governador de Guam garantiu, entretanto, que o posto avançado estratégico norte-americano no Pacífico está “perfeitamente equipado” para enfrentar um ataque norte-coreano graças às infraestruturas que resistem a sismos e tufões.

O regime de Pyongyang divulgou publicamente o plano de lançamento de quatro mísseis contra Guam, território no oceano Pacífico incorporado nos Estados Unidos, onde estão instaladas importantes bases militares.

Não é a primeira vez que a Coreia do Norte ameaça Guam, ilha habitada por 162 mil habitantes com cidadania norte-americana, além dos seis mil soldados estacionados nas bases militares.

Na sequência desta ameaça, a Coreia do Sul convocou para hoje uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional.

Ao mesmo tempo, o Japão advertiu hoje que “não pode tolerar mais provocações” da Coreia do Norte.

Apelamos veementemente à Coreia do norte para prestar atenção aos repetidos e sérios avisos da comunidade internacional, a cumprir as resoluções da ONU e a abster-se de outras provocações”

O porta-voz do Governo nipónico, Yoshihide Suga, sublinhou que "as ações da Coreia do Norte são uma manifesta provocação”. “Não podemos mais tolerá-las”, avisou.

Ontem, o regime de Kim Jong-un advertiu que o presidente norte-americano, Donald Trump, é "desprovido de razão" e que só funciona com a força.

Os Estados Unidos também já garantiram que irão responder a Pyongyang com "fogo e fúria" depois de terem sido divulgados novos desenvolvimentos da capacidade militar da Coreia do Norte.

Perante a escalada da tensão entre os dois países, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já veio pedir contenção.