Quarta-feira, organizações judaicas promovem uma concentração na capital francesa para exigir o cabal esclarecimento da morte de Mireille Knoll, de 85 anos, encontrada morta com 12 facadas no seu apartamento, que foi alvo de um incêndio na passada sexta-feira.

A polícia francesa deteve, na segunda-feira, dois indivíduos, de 22 e 29 anos, suspeitos da morte de Mireille Knoll, estando a investigar o homicídio, admitindo que o ódio aos judeus possa ter estado na base do crime.

Uma fonte da polícia confidenciou a meios de comunicação franceses que um dos suspeitos já fora acusado de abusar de uma menina de 12 anos que vivia no apartamento de Mireille Knoll.

Acresce que a senhora já se queixara à polícia de um vizinho, que ameaçara deitar-lhe fogo ao apartamento.

Sexta-feira passada, quando a França e o mundo dirigiam as sua atenções para os atentados em Trèbes e Carcassone, no sul do país, em que Redouane Lakdim matou, pelo menos, quatro pessoas até ser abatido num supermercado onde se barricou, as forças de segurança parisienses foram chamadas para um incêndio num apartamento de um bairro social camarário. Lá dentro, encontraram o corpo da senhora de 85 anos, com 12 golpes no corpo.

Crime anti-semita

Domingo, a polícia parisiense afirmou "não excluir qualquer hipótese" sobre o móbil do crime. Mas, no dia seguinte, um procurador admitiu que havia contornos de motivação anti-semita.

Estamos chocados. Não entendo como pode alguém matar uma mulher que não tinha dinheiro e vivia num bairro social", afirmou o seu filho, Alain, à agência noticiosa AFP.

Aos meios de comunicação, o advogado Meyer Habib lembrou que Mireille Knoll, então com os seus 11 anos, escapou ao "Vel d'Hiv", uma concentração de judeus no velódromo de Paris levada a cabo pela polícia da França ocupada, que enviou mais de 13 mil pessoas - das quais, quatro mil crianças - para o destino final em Auschwitz, na Polónia.

Raiva e preocupação" são as palavra usadas pelo Conselho Representativo das Instituições Judias em França (CRIF) para se referir à morte de Mireille Knoll, exigindo "a máxima transparência" às autoridades, para que "o motivo deste crime bárbaro seja conhecido o mais rapidamente possível".