A União Europeia teme uma crise humanitária na rota dos Balcãs e apelou a todos os países envolvidos que não continuem a deixar passar migrantes sem qualquer controlo, no dia em que a Bélgica anunciou reintrodução temporária dos controlos na fronteira com França.

Também a Grécia expressou descontentamento em relação à situação, depois dos últimos números terem dado conta de um aumento da chegada de migrantes à Europa.

Estamos preocupados com os desenvolvimentos ao longo da rota dos Balcãs e com a crise humanitária que pode desencadear-se em alguns países, especialmente na Grécia”, lê-se numa declaração conjunta divulgada esta terça-feira pela presidência holandesa da UE e a Comissão Europeia.

A Grécia tem sido um ponto de passagem para migrantes e refugiados. Milhares ficaram presos naquele país depois de a Macedónia barrar a entrada a afegãos.

Segundo a Organização Internacional para a Migração, só em 2016 já chegaram à Europa mais de 100 mil migrantes, comparando com apenas 4 mil nos primeiros dois meses do ano passado.

Apelamos a todos os países e agentes ao longo da rota que preparem planos de contingência para responder às necessidades”, diz ainda a declaração.

A Comissão Europeia reitera-se ainda disponível para prestar todo o auxílio necessário em caso de crise humanitária, incluindo a coordenação da gestão das fronteiras.

A Agência das Nações Unidas para as Refugiados também alertou esta terça-feira para o facto do fecho das fronteiras causar “o caos e a confusão”.

Em visita à ilha de Lesbos, na Grécia, onde desembarcam milhares de refugiados, o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, disse que o fecho das fronteiras já está a colocar grande pressão sobre a Grécia, que enfrenta "uma grande responsabilidade".

A Macedónia fechou esta semana as fronteiras aos migrantes afegãos, o que fez com que mais de 1.000 ficassem retidos na Grécia. A decisão surgiu depois da Sérvia, Croácia e Eslovénia terem resolvido reduzir a entrada de migrantes nos seus países e manda-los de volta para a Macedónia.

Na quinta-feira, a crise dos refugiados vai ser debatida num conselho de ministros da Administração Interna, em que Portugal estará representado pela ministra Constança Urbano de Sousa.

Em março, em data ainda a definir, haverá uma nova cimeira UE-Turquia sobre a questão.

Termina hoje o prazo do ultimato feito pelas autoridades francesas aos residentes de Calais. Os cerca de 4.000 refugiados que ali vivem têm até hoje para abandonarem a parte Sul do enorme acampamento.