O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, está confiante que o primeiro-ministro do seu país vai conseguir alcançar um acordo com os líderes da União Europeia que garanta três mil milhões de euros de ajuda para lidar com a crise dos refugiados.

Num discurso emitido na televisão turca, Erdogan disse que esse dinheiro já estava prometido, e que é apenas uma parte daquilo que o país já gastou com a entrada de migrantes e refugiados.

“Nós já gastámos 10 mil milhões do dólares (cerca de 9 mil milhões de euros) com três milhões de pessoas. [A União Europeia] prometeu dar-nos três mil milhões de euros, já passaram quatro meses. O primeiro-ministro está em Bruxelas neste momento, espero que ele regresse com esse dinheiro”, disse Erdogan, segundo a Reuters.

Os líderes europeus e o primeiro-ministro turco estão reunidos, esta segunda-feira, em Bruxelas para tentar encontrar uma solução para a crise de refugiados. Em cima da mesa está um acordo com a Turquia que “troque” a ajuda a travar a entrada de mais refugiados por essa quantia, mas também o fim da “rota dos Balcãs”, que muitos usam para chegar aos países mais a norte.

Nesta cimeira, Portugal está representado pelo primeiro-ministro António Costa, que já alertou para a importância da Europa continuar a ter uma fronteira externa única e liberdade de circulação, que "tem que continuar a ser uma das liberdades fundamentais".

A discórdia está instalada, pois se a última proposta for aceite, isso pode significar uma crise humanitária na Grécia, que não consegue suportar os milhares de refugiados e migrantes que todas as semanas chegam ao país. Como explicou o correspondente da TVI em Bruxelas, Pedro Moreira, há uma lista de países contra esta possibilidade, entre eles a Alemanha e Portugal.

Para esta reunião, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, trouxe uma nova proposta que “exige mais”, e que terá de ser analisada, indicou fonte oficial da UE à Reuters.

“Eles estão a oferecer mais e a pedir mais”, disse a fonte, que preferiu permanecer anónima, à Reuters.

O diplomata referia-se, exatamente, aos tais três mil milhões previamente acordados, mas também que sejam imediatamente retomadas as conversas de integração da Turquia na UE e que os turcos passem a ter facilidade nos vistos para os países da União, já esta primavera.

Em troca, a Turquia compromete-se a aceitar os migrantes que vejam rejeitado o pedido de asilo, além dos resgatados das águas territoriais turcas.

Já durante a tarde, Ahmet Davutoglu defendeu que as propostas levadas hoje a Bruxelas têm como objetivo travar o drama dos refugiados, desencorajar o tráfico de pessoas e abrir um novo capítulo nas relações entre a Turquia e a União Europeia.

"Com estas novas propostas queremos resgatar refugiados, desencorajar aqueles que exploram esta situação e abrir uma nova era nas relações entre a Turquia e a UE", disse, durante uma conferência de imprensa da NATO, em Bruxelas.

 O primeiro-ministro turco defendeu, também, uma maior ajuda por parte da NATO, de forma a evitar que mais refugiados usem o mar Egeu para chegar à Europa, evitando novas tragédias.

Na mesma conferência de imprensa, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, anunciou que a Aliança intensificou, a partir de hoje, a sua presença no mar Egeu, e vai passar a patrulhar águas territoriais no combate aos traficantes.

 

Europa pode propor seis mil milhões até 2018

A Reuters está a avançar que a ajuda da União Europeia à Turquia poderá chegar aos seis milhões de euros, até 2018.

A agência cita um documento preliminar baseado em propostas da Turquia e que circulou entre os líderes europeus como base para a discussão. Nele é sugerido que por cada refugiado/migrante que o Governo turco aceite a partir das ilhas gregas, a Europa aceitará um sírio vindo da Turquia.

A União Europeia poderá, também, facilitar a concessão de vistos a cidadãos turcos para países dos 28 a partir do final de junho, mais cedo que o previsto.